A prisão do ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, Rudi Fiorese, colocou no centro das atenções uma investigação que apura suspeitas de fraudes milionárias em contratos da operação tapa-buraco da Capital.
A ofensiva foi desencadeada na manhã desta terça-feira (12) pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, durante a Operação “Buraco Sem Fim”. Além da prisão de Fiorese, os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão na Sisep e em endereços ligados aos alvos da investigação.
O foco do inquérito são contratos de manutenção de vias pavimentadas e estradas sem asfalto executados entre 2018 e 2025. Segundo o MPMS, há indícios de que medições de serviços teriam sido manipuladas para justificar pagamentos acima do que realmente foi executado.
A suspeita é de que dinheiro público tenha sido liberado para serviços parcialmente realizados ou até não executados, enquanto moradores continuavam enfrentando ruas esburacadas em diferentes regiões da cidade.
Documentos recolhidos na sede da Sisep devem ajudar os investigadores a rastrear contratos, medições técnicas, pagamentos e possíveis responsabilidades de servidores e empresas envolvidas no esquema.
Outro ponto que chamou atenção durante a operação foi a apreensão de dinheiro em espécie. Conforme o Ministério Público, foram encontrados ao menos R$ 429 mil em notas de real em imóveis ligados aos investigados. Em um dos endereços havia R$ 186 mil. Em outro, os agentes localizaram R$ 233 mil guardados em espécie.
As investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa voltada ao direcionamento e fraude na execução de contratos públicos ligados à manutenção viária da Capital. Levantamento do MPMS mostra que a empresa investigada acumulou mais de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos com o poder público ao longo dos últimos anos.
Fiorese comandou a antiga Secretaria Municipal de Obras entre 2017 e 2023, período em que parte dos contratos investigados foi executada. Ele foi preso em um apartamento localizado na região central de Campo Grande.
Apesar de ter deixado a prefeitura, o engenheiro ocupava atualmente a presidência da Agesul, órgão estadual responsável pela execução e fiscalização de obras públicas. Após a operação, ele foi exonerado do cargo e a decisão deve sair no Diário Oficial desta quarta-feira (13).
A operação é conduzida pelo Gecoc em conjunto com o Gaeco, a Unidade de Apoio à Investigação do MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público. Os investigadores apuram crimes contra a administração pública, possível desvio de recursos e enriquecimento ilícito.

