InícioCapitalVereadora vê descontrole fiscal em Campo Grande e cobra CPI da Saúde

Vereadora vê descontrole fiscal em Campo Grande e cobra CPI da Saúde

A prestação de contas da Prefeitura de Campo Grande referente ao primeiro quadrimestre de 2026, apresentada nesta sexta-feira (29) na Câmara Municipal, foi marcada por críticas da vereadora Luiza Ribeiro (PT), que classificou a gestão fiscal do município como “temerária” e apontou um suposto descontrole entre o crescimento das despesas e a qualidade dos serviços prestados à população.

Durante audiência pública conduzida pelo secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, foram apresentados os números da execução orçamentária dos quatro primeiros meses do ano. Os dados mostram que a arrecadação municipal cresceu 4,32% em relação ao mesmo período de 2025, passando de R$ 1,23 bilhão para R$ 1,28 bilhão. No mesmo intervalo, as despesas tiveram aumento de 10,12%, saindo de R$ 958,6 milhões para R$ 1,055 bilhão.

Para Luiza Ribeiro, os indicadores revelam que o principal problema da administração municipal não está na arrecadação, mas na gestão dos recursos públicos.

“É temerária a gestão fiscal apresentada pelo secretário de Finanças na prestação de contas do primeiro quadrimestre, que demonstra um total descontrole da gestão da receita e da despesa da Prefeitura de Campo Grande. Os números mostram que a arrecadação foi muito bem, mas há um total descontrole no pagamento das despesas”, afirmou.

Segundo a parlamentar, o aumento dos gastos não tem sido acompanhado por melhorias perceptíveis nos serviços públicos oferecidos à população. Ela citou reclamações recorrentes envolvendo tapa-buracos, iluminação pública, limpeza urbana e atendimento na rede municipal de saúde.

Ao comentar os contratos de manutenção das vias, Luiza lembrou que investigações envolvendo fornecedores e servidores públicos já estão em andamento.

“No serviço de tapa-buraco, inclusive, já existe ação criminal envolvendo servidores públicos e fornecedores da Prefeitura, com sete pessoas presas neste momento. Isso é muito grave e precisa ser lembrado”, declarou.

A vereadora também questionou os investimentos realizados em iluminação pública e limpeza urbana. Segundo ela, há uma discrepância entre os valores pagos pela administração municipal e os resultados percebidos pela população.

“O serviço de iluminação pública é evidente que é pago, mas a população não vê o resultado. Na limpeza urbana também há suspeitas de desvios, porque a Prefeitura paga valores enormes e a cidade continua muito suja e abandonada”, criticou.

Outro ponto abordado durante a audiência foi a aplicação de recursos na saúde. Conforme os dados apresentados pela Prefeitura, a área consumiu 22,80% da receita municipal no primeiro quadrimestre, percentual superior ao mínimo constitucional exigido.

Apesar disso, Luiza Ribeiro afirmou que a população continua enfrentando dificuldades para acessar serviços básicos.

“Faltam reagentes para exames, materiais médicos, odontológicos e medicamentos nas UPAs, CRS e CAPS. Especialmente os remédios psicotrópicos não são encontrados pelas pessoas que precisam. Também há falta de consultas psicológicas, especialistas e vagas hospitalares”, disse.

Diante do cenário, a vereadora voltou a defender uma investigação mais aprofundada dos contratos firmados pela administração municipal e reforçou o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a situação da saúde pública na Capital.

“O que nós estamos suspeitando é que os recursos arrecadados estão sendo pagos para empresas fornecerem serviços e produtos que não estão sendo entregues. É necessário que os órgãos de fiscalização façam um pente fino nos contratos de limpeza urbana, iluminação pública, tapa-buraco e saúde. É mais do que necessária, neste momento, a instauração de uma CPI da Saúde para ajudar a descobrir onde estão sendo colocados os recursos públicos de Campo Grande”, concluiu.

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