A exposição “Entre Completudes e Efemeridades”, realizada pelo Coletivo Enegrecer, segue aberta para visitação gratuita até o dia 30 de junho no Arquivo Público Estadual, localizado no segundo andar da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), em Campo Grande.
A mostra reúne obras de artistas contemporâneos negros, pardos e indígenas, além de trabalhos produzidos por crianças da Comunidade Quilombola Chácara Buriti durante oficinas de pintura e colagem promovidas pelo projeto.
Com curadoria de Auriellen Leonel, Thalita Valiente e Erika Pedraza, a exposição convida o público a refletir sobre memória, materialidade e percepção. A proposta explora diferentes linguagens da arte contemporânea por meio de suportes alternativos e da ressignificação de objetos e elementos do cotidiano.
Segundo a curadora Auriellen Leonel, a iniciativa vai além das discussões raciais e evidencia também os processos de pesquisa e experimentação artística. “As exposições não permeiam apenas pautas raciais. Os artistas também estão pesquisando, experimentando materiais e suportes, criando novas possibilidades sem perder a essência de suas trajetórias”, afirma.
Ela destaca ainda que a intenção é estimular novos olhares sobre aquilo que muitas vezes passa despercebido. “A expectativa é que o público consiga olhar para as materialidades sob outra perspectiva, ressignificando o que antes parecia banal em algo que produza sentido”, explica.
Nesta edição, o Coletivo Enegrecer amplia seu campo de atuação ao incluir artistas indígenas, fortalecendo o diálogo entre diferentes identidades, territórios e experiências presentes na produção artística contemporânea sul-mato-grossense.
Participam da exposição, além das curadoras, os artistas Danillo Carvalho, Damata, Lumar, Meio Trash, Miguel Ferrez, Natalia Maisha, Renan Rogerio, San Martinez, Victor Macaulay, William Naipe e Yasmin Alexandra.
Outro destaque da mostra são as obras produzidas pelas crianças da Comunidade Quilombola Chácara Buriti. Resultado das oficinas artísticas realizadas pelo coletivo, os trabalhos ocupam espaço de protagonismo dentro da exposição. “A gente traz as crianças como artistas da exposição. Elas não estão ali como espectadoras, mas como parte do projeto, ocupando esse espaço com suas produções”, afirma Erika Pedraza, idealizadora da iniciativa.
Para ela, esse reconhecimento contribui diretamente para o fortalecimento da autoestima e do sentimento de pertencimento dos participantes. “Quando elas se veem nesse lugar, sendo reconhecidas, isso fortalece. A arte também é uma ferramenta para que essas crianças cresçam com mais consciência, força e pertencimento”, destaca.
Ao transformar materiais cotidianos, memórias e experiências em potência artística, “Entre Completudes e Efemeridades” propõe uma reflexão sobre permanência, transformação e os significados atribuídos às vivências e aos objetos que fazem parte do dia a dia.
Escolas interessadas em visitar a exposição podem agendar previamente pelo telefone (67) 99243-1669, com Erika Pedraza.
O projeto conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), com execução da Prefeitura de Campo Grande, através da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).
