O que antes parecia uma tecnologia distante e acessível apenas para grandes agricultores rurais passou a fazer parte da rotina de famílias agricultoras em Naviraí. Com apoio do Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia), produtores familiares estão ampliando seus sistemas hidropônicos e aumentando a produção de hortaliças após receberem capacitação e acompanhamento técnico.
A mudança é resultado do projeto “Hidroponia para Todos”, coordenado pelo professor Daniel Zimmermann Mesquita, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS). A iniciativa foi financiada por edital de Extensão Tecnológica da Fundect voltado para agricultores familiares, povos originários e comunidades tradicionais, em parceria com a Secretaria-Executiva de Agricultura Familiar, de Povos Originários e Comunidades Tradicionais (Seaf).
Segundo o pesquisador, o principal desafio no início do projeto foi vencer a resistência dos produtores à adoção da tecnologia. “Muitos tinham medo. Conheciam o sistema de hidroponia, mas achavam que era muito caro e tinham receio de investir sem saber operar a tecnologia”, relata Daniel.
A hidroponia implantada utiliza o sistema NFT (Nutrient Film Technique), método em que as plantas são cultivadas em tubos por onde circula continuamente uma solução de água e nutrientes. O processo é automatizado por meio de bombas e temporizadores, reduzindo significativamente a necessidade de trabalho físico.
Na prática, a tecnologia trouxe uma nova realidade para os agricultores participantes. “Na hidroponia, você praticamente não tem esforço físico. Não existe a necessidade de capinar ou arrancar mato. As bancadas ficam na altura das mãos, tornando o trabalho muito mais ergonômico”, explica o professor.
Além da praticidade, o sistema reduz a incidência de doenças associadas ao solo e melhora a qualidade das hortaliças produzidas.
Ao todo, quatro propriedades familiares da região de Naviraí foram contempladas pelo projeto, sendo duas localizadas no Distrito Verde e duas no assentamento Juncal. Cada família recebeu três bancadas hidropônicas completas, além de equipamentos, insumos e treinamento para operação do sistema.
Cada estrutura possui capacidade para produzir cerca de 600 plantas por ciclo produtivo. A principal cultura é a alface, que já vem sendo comercializada pelos agricultores em feiras, supermercados e programas de alimentação escolar.
De acordo com Daniel, o resultado mais expressivo surgiu após a conclusão das atividades financiadas pelo projeto. “Eles aprenderam a tecnologia, perceberam que é um sistema simples e seguro e começaram a reinvestir por conta própria para ampliar a produção”, afirma.
O crescimento das estruturas nas propriedades é apontado pelo pesquisador como um dos principais indicadores de sucesso da iniciativa. “Cada produtor recebeu três bancadas. Hoje já temos agricultores trabalhando com seis bancadas e outros com quatro. Isso mostra que o projeto atingiu seu objetivo e gerou confiança para que eles continuassem investindo”, destaca.
Para o coordenador, o apoio da Fundect foi decisivo para tornar o projeto viável, permitindo a aquisição dos equipamentos, a implantação dos sistemas e a realização das capacitações junto às famílias beneficiadas.
O diretor-presidente da Fundect, professor Cristiano Carvalho, ressalta que a iniciativa demonstra como o investimento em ciência e tecnologia pode gerar impacto direto na vida das pessoas. “O projeto Hidroponia para Todos mostra como a ciência e a tecnologia podem transformar a realidade de famílias produtororas. O mais importante não é apenas a instalação das estruturas, mas a autonomia construída ao longo do processo. Quando o agricultor perde o medo da tecnologia, aprende a utilizá-la e passa a investir por conta própria, vemos a inovação cumprindo seu papel social”, afirma.
A iniciativa integra a série “Fundect: MS ama Ciência”, que apresenta resultados de projetos financiados pela Fundação e destaca como os investimentos públicos em pesquisa, inovação e extensão tecnológica têm contribuído para o desenvolvimento científico, econômico e social de Mato Grosso do Sul.
Com informaçõs Governo do Estado de MS


