Dados mostram que Mato Grosso do Sul registrou dezenas de feminicídios nos últimos anos e milhares de casos de violência doméstica
Neste domingo, 8 de março, o Brasil celebra o Dia Internacional da Mulher, data que simboliza a luta histórica por direitos, igualdade e reconhecimento feminino. Em Mato Grosso do Sul, no entanto, a comemoração também vem acompanhada de um alerta: a violência contra mulheres ainda é uma realidade frequente.
Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública indicam que o Estado registrou 35 feminicídios em 2024 e 37 casos em 2025, números que evidenciam a persistência de crimes motivados por violência de gênero.
Além dos assassinatos, milhares de ocorrências de agressões, ameaças e perseguições são registradas todos os anos, muitas delas dentro da própria casa das vítimas.
Segundo dados da segurança pública estadual, Mato Grosso do Sul registra média superior a 1,7 mil ocorrências mensais de violência doméstica, o que reforça a dimensão do problema.
Casos recentes reforçam gravidade da violência
Nos últimos anos, crimes desse tipo foram registrados em diversas cidades do Estado, incluindo Campo Grande, Dourados, Sidrolândia, Nioaque e Cassilândia.
Em muitos desses episódios, as investigações apontaram que os crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, um padrão que se repete em casos de violência doméstica em todo o país.
Especialistas explicam que feminicídios frequentemente são precedidos por um histórico de agressões, ameaças ou perseguições que não conseguem ser interrompidas a tempo.
Conquistas e avanços legais
Apesar do cenário preocupante, o Brasil avançou nas últimas décadas na criação de mecanismos de proteção. Entre os principais instrumentos está a Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais importantes no enfrentamento da violência doméstica no país.
Outro marco foi a tipificação do feminicídio como crime hediondo, medida que reconhece o assassinato de mulheres por razões de gênero como uma forma extrema de violência.
Essas leis ampliaram medidas de proteção, como ordens judiciais que proíbem a aproximação do agressor e permitem o afastamento imediato do suspeito do convívio com a vítima.
Rede de proteção no Estado
Mato Grosso do Sul também possui iniciativas consideradas referência no país. A capital Campo Grande abriga uma unidade da Casa da Mulher Brasileira, espaço que reúne atendimento policial, jurídico, psicológico e social para vítimas de violência.
A estrutura busca oferecer acolhimento imediato e facilitar o acesso das vítimas aos serviços de proteção. Mesmo assim, especialistas apontam que a rede ainda precisa ser ampliada para alcançar municípios menores e garantir atendimento rápido em todo o território estadual.
O que pode ajudar a reduzir a violência
Especialistas em segurança pública e direitos humanos apontam que o combate à violência contra mulheres exige um conjunto de ações permanentes. Entre as medidas consideradas fundamentais estão:
• Fortalecimento das medidas protetivas contra agressores
• Ampliação de delegacias especializadas no atendimento às mulheres
• Campanhas educativas sobre igualdade de gênero
• Políticas de apoio econômico para mulheres em situação de vulnerabilidade
Segundo especialistas, a autonomia financeira e o acesso a serviços de proteção são fatores decisivos para que vítimas consigam romper ciclos de violência.
Mais que uma homenagem
Para especialistas e organizações de defesa dos direitos das mulheres, o Dia Internacional da Mulher precisa ir além de homenagens simbólicas. A data é vista como um momento de reflexão sobre igualdade de oportunidades, respeito e segurança.
Ao longo da história, mulheres ampliaram presença em áreas como educação, política, ciência e mercado de trabalho. Ainda assim, os números da violência mostram que garantir segurança e dignidade para todas continua sendo um dos grandes desafios da sociedade.
Da redação
