A hemodiálise filtra o sangue e substitui a função dos rins em pacientes com insuficiência renal.
Os números são duros e revelam o tamanho do desafio: cerca de 2 mil pessoas fazem hemodiálise em Mato Grosso do Sul, enquanto aproximadamente 175 mil brasileiros dependem desse tratamento no país. No estado, 69 pacientes utilizam diálise peritoneal e, quando o assunto é transplante, os dados também acendem um alerta: foram 21 transplantes renais em 2025 e cinco em 2026 até agora. As informações são da Sociedade Brasileira de Nefrologia e da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul.
Esse cenário ajuda a explicar a mobilização em torno da 20ª Campanha do Dia Mundial do Rim, que será realizada em 12 de março, na Praça Ary Coelho, região central de Campo Grande. O evento vai oferecer exames gratuitos e orientação médica à população, das 8h às 15h, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce das doenças renais.
A campanha faz parte de uma iniciativa global coordenada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, com participação da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante e da Federação Nacional das Associações de Pacientes Renais e Transplantados.
Em Mato Grosso do Sul, a mobilização é coordenada pela Associação Beneficente dos Renais Crônicos de Mato Grosso do Sul (ABREC-MS), com apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul. Universidades da Capital também participam com equipes de acadêmicos e professores da área da saúde.
Sobre hemodiálise
A hemodiálise é um tratamento utilizado quando os rins deixam de funcionar adequadamente. O procedimento filtra o sangue por meio de uma máquina, removendo toxinas, excesso de líquidos e substâncias que o organismo não consegue eliminar sozinho.
A terapia é indicada principalmente para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado ou insuficiência renal grave. Em muitos casos, o tratamento precisa ser realizado três vezes por semana, com sessões que podem durar cerca de quatro horas.
Doença silenciosa preocupa especialistas
A médica nefrologista Maria Aparecida Arroyo, fundadora e atual presidente da ABREC-MS, explica que a campanha busca ampliar a conscientização sobre a doença renal crônica, que muitas vezes evolui de forma silenciosa.
“Estimativas indicam que cerca de 50 mil brasileiros morrem todos os anos antes mesmo de conseguir acesso à diálise ou ao transplante. Isso mostra a importância do diagnóstico precoce e da prevenção”, afirma.
Segundo a médica, muitos pacientes só descobrem o problema quando os rins já estão comprometidos, o que torna o tratamento mais complexo.
Atendimento gratuito na Praça Ary Coelho
Durante o evento, profissionais da saúde e estudantes de cursos como medicina, enfermagem e nutrição irão realizar uma série de avaliações gratuitas.
Entre os serviços disponíveis estão: aferição de pressão arterial; teste de glicemia; avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC); teste de creatinina, que avalia a função dos rins; exame de retinopatia para hipertensos e diabéticos e orientações com profissionais da saúde
Para participar, basta apresentar documento pessoal, CPF e telefone para contato.
Prevenção pode evitar diálise
De acordo com a nefrologista Maria Aparecida Arroyo, o principal objetivo da campanha é mostrar que a prevenção pode evitar que a doença avance para estágios mais graves.
“Com exames simples e acompanhamento médico, é possível identificar alterações precocemente e evitar que a doença evolua até a necessidade de diálise. A informação e o acesso ao diagnóstico fazem toda a diferença”, destaca.
A edição de 2026 do Dia Mundial do Rim traz como tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, reforçando a importância de políticas públicas que ampliem o acesso ao diagnóstico e ao tratamento renal em todo o país.
Da redação
