Depois de uma sequência de mortes de recém-nascidos e investigações sobre supostas falhas no atendimento, Corumbá deve ganhar uma nova maternidade financiada com recursos federais. A obra, estimada em R$ 74,9 milhões, faz parte do programa Novo PAC e pretende ampliar a estrutura para partos e atendimento neonatal na cidade pantaneira.
A construção da unidade avançou mais uma etapa nesta semana. A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos lançou licitação para contratar a empresa responsável pela obra no município de Corumbá.
O aviso foi publicado no Diário Oficial do Estado e prevê a construção de uma maternidade de porte II. A concorrência será eletrônica e a abertura das propostas está marcada para 1º de abril, às 8h30. Pelo edital, a contratação seguirá o critério de menor preço, em regime de empreitada por preço unitário.
A nova maternidade deve reforçar a rede de saúde da região do Pantanal, atendendo gestantes de Corumbá, municípios vizinhos e também moradores da faixa de fronteira com a Bolívia.
A criação da estrutura ocorre em meio a uma série de episódios que expuseram fragilidades no atendimento materno-infantil da cidade. Em 2024, ao menos três mortes de recém-nascidos e uma de gestante levaram a abertura de investigação pelo Ministério Público para apurar possíveis falhas no serviço de saúde, especialmente pela ausência de UTI neonatal na maternidade local.
No mesmo período, denúncias de familiares e autoridades apontaram aumento no número de óbitos de bebês e cobraram providências das autoridades de saúde.
Em 2025, o Ministério Público Federal também instaurou inquérito civil para investigar indícios de falhas e omissões no atendimento prestado pela maternidade de Corumbá após relatos de mortes de recém-nascidos.
Outro episódio que gerou repercussão ocorreu quando uma gestante perdeu gêmeos após esperar atendimento de alto risco na maternidade da cidade.
Diante do cenário, o governo federal redirecionou para Corumbá uma das maternidades previstas no Novo PAC, inicialmente planejada para outro município. A escolha levou em conta indicadores de saúde e a necessidade de ampliar leitos obstétricos e estrutura neonatal na região.
