Um passo histórico para a causa animal foi dado nesta terça-feira (17). Protetores independentes e representantes de organizações não governamentais oficializaram a criação da Federação Estadual de Proteção e Bem-Estar Animal (FEBEA), a primeira entidade do tipo no Mato Grosso do Sul. A iniciativa nasce como um marco para fortalecer a luta em defesa dos animais e ampliar o diálogo com o poder público em um estado onde, até então, não havia uma estrutura unificada de representação.
A fundação da FEBEA ocorreu durante reunião realizada na Câmara Municipal de Dourados e contou com a participação inicial de representantes de 13 municípios sul-mato-grossenses, evidenciando a força da mobilização em diferentes regiões do estado.

A fundação da FEBEA representa a concretização de um anseio antigo dos protetores, que há anos enfrentam dificuldades para avançar em políticas públicas e garantir suporte às demandas crescentes da causa animal. Com a união de entidades de diversas cidades, a federação surge com o objetivo de dar voz mais forte e organizada ao setor.
“Hoje demos um grande passo. Constituimos a federação, elegemos os diretores para a gestão 2026-2029 e, agora, temos muito trabalho pela frente. As demandas são urgentes e exigem estudo, estratégia e união para avançarmos em políticas públicas no estado”, destacou a protetora Maria Lucia Metello, integrante do conselho de profissionais da federação.
Pioneira na causa animal em Mato Grosso do Sul, Maria Lucia fundou há 25 anos a primeira ONG Abrigo dos Bichos, onde atualmente atua como tesoureira, sendo uma das principais referências na luta pela proteção animal no estado.
A presidência da FEBEA ficará a cargo de Anne Louise, representante de uma ONG no município de Caarapó. A estrutura da federação é composta por conselho de administração, conselho fiscal e conselho de profissionais, garantindo organização e transparência nas ações.
ONGs no Estado
Atualmente, a federação já identificou ao menos 24 ONGs com CNPJ ativo em Mato Grosso do Sul, que juntas atendem milhares de animais. Apesar do trabalho essencial que realizam, essas instituições enfrentam dificuldades constantes, como falta de recursos, aumento dos casos de abandono e ausência de apoio efetivo do poder público.
A primeira meta da FEBEA será realizar um mapeamento completo das organizações atuantes no estado, com o objetivo de regulamentar e fortalecer essas entidades. “Precisamos fazer as coisas certas para poder cobrar. Só assim teremos legitimidade para exigir políticas públicas mais efetivas”, reforçou Maria Lucia.
Entre os principais objetivos da federação estão a cobrança por ações concretas contra o abandono e os maus-tratos, a promoção de campanhas de conscientização sobre guarda responsável e o apoio para que as ONGs se tornem Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), possibilitando acesso a benefícios fiscais e novas fontes de financiamento.
Para os envolvidos, a criação da FEBEA simboliza mais do que uma formalidade institucional: representa a união de forças em um cenário considerado atrasado na proteção animal. “A união faz a força. Agora teremos mais condições de cobrar, de dialogar e de enfrentar os desafios. Estamos construindo uma voz mais poderosa para representar os protetores e os animais de todo o Mato Grosso do Sul”, concluiu.
Com o nascimento da FEBEA, a expectativa é que a causa animal no estado ganhe mais visibilidade, organização e impacto — abrindo caminho para avanços concretos e sustentáveis na proteção e no bem-estar dos animais.
Por Laura Holsback


Seria ótimo se a polícia e os órgãos competentes se juntasse a essa causa da do apoio total no resgate de animais que sofrem denúncias de maus tratos, muitas vezes fazemos várias ligações e ninguém resolve, os protetores e ongs precisam desse apoio.