A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul contestou em nota as acusações feitas pela vereadora Luiza Ribeiro sobre a atuação de policiais durante uma ocorrência na sede do Incra, na região central de Campo Grande. Segundo a corporação, a equipe foi acionada após denúncias registradas pelo telefone 190, e não por monitoramento de manifestação política, como havia sido sugerido.
De acordo com a PM, o chamado apontava perturbação do sossego causada pelo uso de instrumentos sonoros em via pública, como bumbos e cornetas. A ocorrência foi despachada pelo Centro de Operações da Polícia Militar, que enviou equipes ao local para averiguação.
Aglomeração e tensão durante abordagem
No endereço indicado, os policiais fizeram contato com a responsável pelo evento e orientaram sobre a necessidade de cessar o barulho. Ainda segundo a versão oficial, a situação se intensificou quando houve aumento da aglomeração ao redor da equipe.
A PM afirma que o cenário passou a representar risco à integridade dos agentes, o que exigiu uma mudança no tom da abordagem. A corporação diz que houve elevação no nível de verbalização para dispersar o grupo e garantir a segurança no local.
Criança passando mal e recusa de socorro
Um ponto sensível da ocorrência envolve uma criança que, segundo a polícia, apresentava sinais de mal-estar durante a ação. A corporação afirma que ofereceu auxílio imediato, mas que os responsáveis teriam recusado o atendimento por parte dos policiais.
Diante da situação, equipes especializadas foram acionadas, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, para prestar o atendimento médico necessário.
Ocorrência encerrada sem conduções
Após a dispersão da aglomeração e o encerramento do ruído, os envolvidos acataram as orientações legais, segundo a PM. A ocorrência foi finalizada no local, sem registro de conduções à delegacia, e as equipes retornaram ao patrulhamento de rotina.
O caso
Nesta quuinta-feira (19), a vereadora Luiza Ribeiro publicou nota no site da Câmara Municipal repudiando ação dos policiais que teriam agido com violência contra trabalhadores acampados na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
O acampamento começou na segunda-feira (16) e reúne entidades da Frente Unitária Agrária de Mato Grosso do Sul, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a União Geral dos Trabalhadores, a Federação dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais e o Movimento Sem Terra Brasileiro.
O grupo cobra a liberação de R$ 2 bilhões para compra de áreas destinadas à reforma agrária no estado. Segundo os movimentos, a polícia chegou à noite e, sem registro de confronto, realizou uma ação violenta. Há relatos de uso de gás de pimenta, inclusive contra uma criança. “Repudio a truculência contra trabalhadores que exercem seu direito de manifestação. É inadmissível que famílias, com crianças, sejam tratadas com violência”, afirmou a vereadora.
Por Laura Holsback

