A fila por exames médicos na saúde pública de Campo Grande já ultrapassava 25 mil pessoas em fevereiro de 2024, e, em alguns casos, a espera dura anos. Há pacientes aguardando desde 2018 por exames como ressonância magnética com sedação, o que evidencia a dimensão do problema no acesso a diagnósticos essenciais. Entre os exames mais demandados estão tomografias, ressonâncias, eletroneuromiogramas e radiografias.
Os dados foram divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que intensificou o acompanhamento da situação e passou a cobrar medidas mais efetivas para reduzir o tempo de espera.
Diante do cenário, o MPMS instaurou procedimento para reunir dados e monitorar as ações do poder público, além de exigir um plano com metas e prazos. O parâmetro segue orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que considera excessiva a espera superior a 100 dias.
Mesmo com investimentos anunciados, o impacto ainda é limitado. Programas como o “Mais Saúde, Menos Fila”, que recebeu R$ 45 milhões do Estado, e recursos federais de R$ 15,9 milhões não conseguiram reduzir de forma proporcional a demanda acumulada.
Há iniciativas como a ampliação de exames contratados pela Secretaria Municipal de Saúde, incluindo cerca de 3,5 mil ressonâncias, mas o volume ainda é insuficiente diante do tamanho da fila.
Os dados também mostram que a maior pressão está concentrada em exames de coluna. Nos últimos seis meses, foram realizados apenas 52 exames de coluna torácica e 134 de coluna lombossacra.
Além dos números, o acompanhamento reúne relatos de pacientes que enfrentam dores persistentes, dificuldade de acesso e demora para iniciar tratamentos.
O caso segue sob monitoramento do MPMS, que busca garantir a redução da fila e maior efetividade no acesso aos exames na rede pública.

