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Golpe do falso advogado no WhatsApp explode em MS e preocupa profissionais

Você é amigo de advogados nas redes sociais? Tem percebido uma frequência cada vez maior de postagens com alertas aos clientes sobre o uso indevido da imagem de escritórios por golpistas? O que antes parecia pontual virou rotina e revela a escalada de um tipo de fraude que vem se espalhando com rapidez em Mato Grosso do Sul.

O chamado “golpe do falso advogado” tem gerado prejuízos financeiros e dor de cabeça para profissionais e clientes. Advogados relatam aumento expressivo de tentativas de fraude utilizando seus nomes e imagens. Um dos casos envolve o advogado Arlindo Muniz, do escritório Arlindo Muniz Advogados & Associados, que teve a identidade profissional usada por criminosos em um esquema considerado sofisticado.

Segundo ele, os golpistas criam contas no WhatsApp com nome e foto do escritório, mas utilizando números diferentes, e entram em contato diretamente com clientes. A abordagem é estruturada para parecer legítima: os criminosos informam que a ação judicial foi “ganha”, apresentam número de processo verdadeiro, obtido em bases públicas, e solicitam pagamento de supostas taxas para liberação de valores.

“Eles pegam decisões reais, usam o nome do escritório, colocam foto pública e entram em contato com o cliente dizendo que há valores a receber. Em um dos casos, clientes chegaram a perder cerca de R$ 20 mil”, relata o advogado.

A fraude vai além das mensagens de texto. Há registros de utilização de áudios gerados por inteligência artificial simulando a voz do profissional, além de falsas audiências virtuais, com pessoas se passando por juiz e advogado, com o objetivo de coletar dados pessoais e até biométricos das vítimas.

Diante da situação, Arlindo Muniz afirma que prepara uma ação judicial contra a empresa responsável pelo aplicativo de mensagens, questionando os mecanismos de segurança adotados na criação de contas. “Como é possível permitir que terceiros utilizem imagem e identidade de profissionais sem validação mais rigorosa?”, questiona.

Dinâmica do golpe

O esquema segue um padrão cada vez mais sofisticado. Os criminosos criam contas no WhatsApp, muitas vezes utilizando a versão Business, e configuram o perfil com nome e foto de advogados reais, o que transmite credibilidade imediata às vítimas. Em seguida, entram em contato com clientes que já possuem ações na Justiça, utilizando dados verídicos, como número de processo e até decisões judiciais públicas, o que reforça a aparência de legitimidade da abordagem.

A partir desse primeiro contato, os golpistas informam que há valores a serem liberados, normalmente relacionados a alvarás ou decisões favoráveis, e alegam a necessidade de pagamento prévio de custas, taxas ou encargos para viabilizar a liberação do dinheiro. Para dar mais veracidade, podem enviar boletos com logotipos de órgãos oficiais ou solicitar transferências via Pix. Em situações mais elaboradas, utilizam recursos tecnológicos para simular a voz do advogado ou até promovem falsas audiências virtuais, com o objetivo de obter dados pessoais e biométricos das vítimas, que posteriormente podem ser utilizados em fraudes financeiras.

Alerta aos clientes

Diante do avanço dos golpes, a orientação é evitar qualquer pagamento sem confirmação direta com o advogado ou escritório por canais oficiais.

O advogado Arlindo Muniz reforça que seu escritório não solicita valores antecipados para liberação de alvarás ou decisões judiciais. “Em caso de dúvida, a recomendação é entrar em contato diretamente pelos números de telefones já conhecidos”, alerta.

Na avaliação do advogado, o enfrentamento desse tipo de fraude passa, necessariamente, por uma atuação mais rigorosa do Judiciário sobre empresas de tecnologia e instituições financeiras. Ele defende que a ausência de punições mais severas acaba favorecendo a expansão do crime organizado, que tem migrado de delitos mais violentos para o estelionato, considerado de menor risco penal.

“Enquanto o Judiciário não aplicar multas significativas às big techs e responsabilizar bancos que mantêm contas de golpistas sem a devida apuração, acaba contribuindo para esse cenário. O crime organizado deixou práticas como assaltos e passou a investir em golpes, que têm pena mais branda e alto retorno financeiro”, afirma. Segundo ele, sem um impacto econômico que force melhorias nos mecanismos de segurança, os recursos obtidos com as fraudes continuam alimentando outras atividades ilícitas, ampliando a estrutura criminosa.

O que diz a Meta sobre segurança

A Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, afirma em suas diretrizes que busca garantir segurança e privacidade aos usuários. A companhia destaca o uso de criptografia de ponta a ponta nas mensagens, além de mecanismos de denúncia, bloqueio e, em alguns casos, verificação de contas comerciais para aumentar a autenticidade de perfis empresariais.

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