A diretora-presidente da Fundação da Cultura, Wanessa Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, que o Carnaval de Corumbá 2026 consolidou a cultura como setor econômico estratégico do município. A declaração foi feita durante coletiva para apresentação dos resultados do Relatório de Fluxo Turístico e Socioeconômico elaborado pela Fundação de Turismo do Pantanal, por meio do Observatório de Turismo.
Segundo Wanessa, os dados mostram que a festa vai além do entretenimento e impulsiona emprego, renda e circulação de dinheiro na cidade. “Com todos esses dados, a gente costuma ver a cultura, muitas vezes, em segundo plano, e esses números mostram que a cultura é um setor de fomento econômico”, disse. “Estamos alinhados com o conceito de economia da cultura, que busca mapear toda a cadeia produtiva gerada por um evento”, afirmou.
Ela destacou que o impacto começa meses antes do desfile. De acordo com a diretora-presidente, as escolas de samba mantêm preparação que pode chegar a 11 meses, com contratação de trabalhadores e fornecedores locais. “Isso movimenta a economia e faz com que o dinheiro permaneça na cidade”, afirmou.
No campo cultural, a Fundação contabilizou 18 eventos em dois meses de programação. A estratégia incluiu a descentralização das atividades, com pré-carnavais realizados nos bairros. “Levamos a festa para perto das pessoas. Havia dúvida se funcionaria fora da área central, mas a população se sentiu prestigiada”, declarou.
Wanessa ressaltou que o trabalho temporário começou ainda em janeiro, envolvendo músicos, técnicos e prestadores de serviço. A estimativa é de cerca de 250 trabalhadores entre ambulantes e responsáveis por barracas durante o período festivo.
A titular da Fundação da Cultura também destacou a valorização dos artistas locais como uma das marcas do carnaval deste ano. “Foi uma programação protagonizada pela população. Conseguimos dar maior visibilidade aos artistas da cidade”, afirmou. Ela relatou que grupos musicais perceberam mudança de patamar após se apresentarem no palco principal, com estrutura profissional de som, iluminação e painéis visuais.
As baterias das escolas de samba também passaram a ocupar o palco central, o que, segundo a gestora, fortalece a imagem cultural das agremiações e amplia as possibilidades de captação de recursos públicos. Parte das ações foi viabilizada por meio de parceria com a LIESCO, responsável por apoiar a organização das escolas.
A programação incluiu ainda eventos voltados a públicos específicos, como o Carnaval da Inclusão e atividades infantis no Jardim Folia, além da ampliação do Casario Folia. “Pensamos em ações para todos os públicos e em horários diferentes, não apenas à noite”, disse.
Wanessa afirmou que o município manteve o mesmo nível de investimento do ano anterior, mas registrou crescimento no retorno econômico. Ela citou como referência indicador do Ministério da Cultura segundo o qual cada real investido no setor cultural tende a gerar múltiplos efeitos financeiros na economia local. “Estamos dentro dessa métrica, considerando a amostragem da pesquisa”, declarou.
A Fundação iniciou ainda o mapeamento dos profissionais ligados às escolas de samba para identificar formalmente trabalhadores do setor cultural. A estimativa preliminar é de cerca de 100 pessoas por escola envolvidas diretamente na produção do carnaval.
“Em muitos lugares, a cultura é cortada em momentos de crise. Em Corumbá, ela é parte do motor da economia”, disse. “Investir em cultura é investir na cidade”, finalizou.
RELATÓRIO PESQUISA CARNAVAL 2026_20260220_121936_0000
Fonte: Prefeitura de Corumbá – MS
