O que poderia ser apenas uma despedida marcada pela dor ganhou outro significado em Campo Grande. Diagnosticado com câncer de estômago e atualmente em estágio terminal da doença, o advogado e turismólogo Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, decidiu transformar a própria finitude em encontro, música e presença.
No dia 30 de maio, ele promove o “Velório em Vida – A Despedida do Bom Sujeito”, evento aberto ao público que propõe uma inversão simbólica do ritual da morte: em vez de homenagens após a partida, Tiago escolheu celebrar enquanto ainda pode participar da própria história. “Se meus amigos vão se reunir por minha causa, eu quero estar lá. Não quero ser só um corpo dentro de uma caixa fazendo figuração”, resume.
Tiago recebeu o diagnóstico em 2024. Durante mais de um ano, conseguiu manter a rotina relativamente preservada, mas o quadro mudou no fim de 2025, quando o câncer atingiu os pulmões e trouxe limitações severas. “Foi aí que eu senti o câncer pela primeira vez. A morte deixou de ser uma ideia distante e virou algo real”, conta.
Mesmo diante da progressão da doença, ele afirma ter escolhido enfrentar o processo de forma consciente. “Eu tenho câncer, mas o câncer não me tem.”
A ideia da despedida se espalhou de forma espontânea pelas redes sociais e mobilizou amigos, músicos e desconhecidos. Sem conseguir comportar apenas convidados próximos, a organização decidiu abrir o evento ao público.
A celebração acontece no Clube dos Canalhas, antiga Cervejaria Canalhas, no Jardim Seminário, a partir das 15h, com entrada gratuita e contribuição voluntária destinada a ajudar nos custos do tratamento e da realização do evento.
A programação foi construída como uma grande reunião afetiva, misturando estilos musicais, encontros e apresentações ao longo da tarde e da noite. Entre as atrações confirmadas estão Miralonso MPB, Caos na Madeira, Punk e os Malditos, DJ Samambaia, Coquetel Blue e Cassino Boogie.
O espaço também terá venda de chope, porções e participação do Sapadog com lanches.
Mais do que uma despedida, Tiago define o encontro como um lembrete de que a vida continua acontecendo enquanto existe tempo para vivê-la. “A morte só vai acontecer um dia. Em todos os outros, a gente tem a vida. E a vida presta.”

