Quatro em cada dez startups selecionadas para o Prêmio Sebrae Startups na edição 2025 têm mulheres entre as fundadoras. O recorte de 44% — dentro do universo das mil empresas escolhidas — contrasta com a média do ecossistema brasileiro, onde a participação feminina costuma variar entre 15% e 20%, a depender do levantamento.
Entre as Top 1.000, 44% contam com mulheres no quadro societário, indicador que o estudo classifica como um avanço importante em um setor historicamente marcado pela predominância masculina. A leitura combinada dos dados sugere que, quando há ampliação de acesso à capacitação, rede de contatos e visibilidade institucional, a assimetria tende a diminuir.
O Sebrae Startups atua nos 27 estados brasileiros, com programas voltados desde a ideação até a tração. Nesse estágio inicial, barreiras de entrada — como acesso a conhecimento técnico, mentoria qualificada e conexão com investidores — costumam pesar mais do que a própria qualidade da solução desenvolvida.
A maior presença feminina entre as startups selecionadas indica que políticas de democratização de acesso podem funcionar como instrumento de correção de uma distorção histórica do ecossistema. O próprio desenho do Prêmio Sebrae Startups contribui para dar tração a empresas que, muitas vezes, ainda não tiveram acesso a capital privado.
“Quando ampliamos o acesso à capacitação, às redes de relacionamento e à visibilidade nacional, abrimos espaço para que mais mulheres transformem suas ideias em negócios escaláveis”, afirma Luciana Oda, Gerente de Inovação do Sebrae/SC. “O early stage é decisivo porque é onde se constrói a base da empresa — e é também onde podemos reduzir desigualdades estruturais que, no topo da cadeia, ainda são evidentes.”

Do early stage ao topo do pódio
A edição de 2025 do Prêmio Sebrae Startups teve como vencedora nacional a NexAtlas, de Minas Gerais, liderada por Ana Raquel Calháu Pereira. A startup superou as demais competidoras e ficou com o primeiro lugar da premiação. A NexAtlas, fundada em 2016, desenvolve soluções digitais para planejamento de voos e navegação aérea.
Além do modelo B2C, a startup investe em planos B2B e em APIs para táxis aéreos. A receita vem principalmente de assinaturas, complementada por publicidade voltada a prestadores de serviço aeronáutico. Concorrendo com players internacionais como ForeFlight e SkyVector, a NexAtlas aposta na adaptação ao mercado brasileiro como principal diferencial.

Raio-X das Top 1.000: maturidade, escala e concentração regional
O retrato das mil startups selecionadas para o Prêmio Sebrae Startups 2025 mostra um ecossistema mais maduro e com foco claro em escalabilidade. Mais de 90% das empresas já estão nas fases de validação, tração, crescimento ou escala, sendo que 46,7% se encontram em tração — estágio em que já possuem clientes pagantes e indicadores de desempenho em evolução.
No modelo de negócios, o B2B predomina com 67,3% das startups, seguido por B2B2C (14,7%) e B2C (10,7%). O software é o principal produto de 55% das empresas, reforçando a busca por modelos com menor custo marginal e maior capacidade de replicação. Além disso, 60,2% adotam estratégias baseadas em SaaS ou assinatura, e 58,9% já operam com Receita Recorrente Mensal (MRR) estruturada.
Regionalmente, o Sudeste concentra 40,2% das startups selecionadas, com São Paulo respondendo sozinho por 25,3% do total. O destaque fora do eixo tradicional é Santa Catarina, que aparece em segundo lugar no ranking nacional, com 156 startups — evidência do fortalecimento de polos regionais.
Apesar do avanço operacional, o acesso a capital segue como gargalo estrutural. Embora 81,3% das startups estejam em busca de investimento, 56,4% ainda não captaram recursos de venture capital. Entre as que receberam aportes, 21,1% captaram acima de R$ 500 mil — sinal de que uma parcela relevante já passou por processos formais de due diligence.
Prêmio Sebrae Startups 2026 será lançado até o final de março
Na edição de 2026, o Prêmio Sebrae Startups mantém a política de ações afirmativas: startups com sócios que se identifiquem como mulheres, pessoas negras, indígenas, Pessoas com Deficiência (PcD) ou integrantes da comunidade LGBTQIA+ recebem bonificação de 2% na nota final em todas as fases.
O bônus é cumulativo entre perfis distintos e pode chegar a 8%. O percentual pode atingir até 10% quando somado à bonificação regional para negócios das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A campeã nacional receberá R$250 mil. Mais informações serão divulgadas em breve.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias
