InícioCotidianoGuerra aumenta emissões de CO₂ e especialista critica embargos ambientais no Brasil

Guerra aumenta emissões de CO₂ e especialista critica embargos ambientais no Brasil

A guerra no Oriente Médio não pressiona apenas a geopolítica e o mercado de energia. Ela também reacende um debate incômodo sobre quem, de fato, está sendo cobrado na agenda climática global.

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã já deixaram milhares de mortos, provocaram deslocamentos em massa e impactaram diretamente os preços do petróleo e do gás. No campo ambiental, os efeitos também são expressivos. Levantamento do Climate and Community Institute indica que, nos primeiros 14 dias de conflito, foram emitidas cerca de 5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

O volume chama atenção pela velocidade. Em duas semanas, as emissões se aproximam do que países inteiros produzem ao longo de um ano.

O dado contrasta com o desempenho ambiental brasileiro. Em 2025, o Brasil sequestrou aproximadamente 430 milhões de toneladas de carbono da atmosfera, resultado associado à preservação florestal. Ainda assim, produtores brasileiros seguem sujeitos a restrições comerciais e embargos ambientais.

É nesse cenário que o advogado Arlindo Muniz critica a forma como essas medidas são aplicadas. Segundo o especialista em meio ambiente no Mato Grasso do Sul, propriedades produtivas no Brasil vêm sendo afetadas por sanções consideradas desproporcionais. “Então deveriam existir medidas muito mais severas de restrições, embargos de países signatários de guerras, do que nós que somos signatários de pactos internacionais de controle ambiental”, afirma.

O advogado também questiona os critérios usados para justificar essas restrições. “Você vem com a mão de ferro em áreas produtivas, impondo embargos ao argumento de direito coletivo, de proteção ao ambiente, da emissão de poluentes. E você tem países desenvolvidos em plena guerra, em 14 dias, com grande volume de carbono”, diz.
Na avaliação dele, há um desequilíbrio na forma como os impactos ambientais são tratados. “Não tem proporcionalidade, razoabilidade nessas decisões se você pegar e fazer uma análise do ambiente macro. Então é completamente desproporcional.”

Muniz ainda compara diretamente os números. “Nos 14 dias de guerra, já foram geradas 5 milhões de toneladas. Isso é praticamente a geração de países inteiros e representa uma parcela relevante do sequestro de carbono do Brasil no ano.”
O debate segue aberto entre especialistas e organismos internacionais. Enquanto acordos climáticos buscam reduzir emissões de forma contínua, conflitos armados seguem produzindo impactos imediatos, ampliando uma discussão que vai além do meio ambiente e envolve critérios, equilíbrio e responsabilidade global.

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