O evento oficial de entrega e apresentação do selo de Indicação Geográfica (IG) da cachaça de Orizona, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), foi marcado por muita celebração, reconhecimento daqueles que fizeram parte da conquista e também pelo diálogo sobre os próximos passos para que a bebida alcance novos mercados e gere oportunidades para seus produtores.

Realizada pela Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Orizona (Apacor), com o apoio do Sebrae Goiás, na noite de sexta-feira, 6, no Recanto Ipê, na zona rural do município que fica na região Centro-Leste do estado, a solenidade reuniu autoridades, produtores, entidades parceiras e lideranças regionais.
A produção de cachaça em Orizona remonta à origem do município, em 1840, com pioneiros que vieram principalmente de Minas Gerais e passaram a produzir a bebida, que ao longo das décadas ganhou fama pela qualidade e teve seu modo de fazer passado de geração em geração. Na década de 1930, Orizona chegou a ter 150 fazendas produzindo cachaça e essa história foi decisiva para a conquista da IG.

Responsável pela entrega do selo aos produtores de Orizona, a chefe do Escritório Regional do INPI em Goiás, Milene Dantas, revelou que o município entra para um grupo seleto no Brasil. “No país são somente oito indicações geográficas para produtores de cachaça”, informou. Esse reconhecimento, frisou Milene, atesta que a bebida feita no município tem qualidade e identidade própria, características reconhecidas pelos consumidores.
A IG também serve para delimitar o território. Ou seja, somente os produtores que estão no município de Orizona têm o direito de utilizar o selo. “Isso porque foi atestado que o produto, a cachaça, está inseparavelmente ligada ao território, considerando os termos históricos e o conhecimento transmitido através das gerações”, explicou Milene. Ela também destacou que o selo agrega valor.
É essa possibilidade de alcançar novos mercados com um produto de maior valor que faz com que a Apacor comemore a conquista da IG.. Para o presidente da entidade, Edgar de Castro Correa, o selo concedido pelo INPI irá abrir portas de uma cachaça que já é reconhecida nacionalmente. Ele acredita também que a conquista ampliará o número de produtores da bebida em Orizona, fortalecendo uma cadeia produtiva que vai gerar mais empregos e renda.

“E sem o Sebrae seria impossível a gente alcançar esse feito, esse marco, porque o trabalho da entidade foi essencial. São parceiros que estiveram presentes desde o início, nos apoiando, nos ajudando, nos cobrando para que a gente se mobilizasse, para poder realmente chegar no dia de hoje”, ressaltou o presidente da Apacor.
A partir de um diagnóstico com o apoio do Sebrae Nacional, o Sebrae Goiás detectou a potencialidade para se conseguir a Indicação Geográfica. Foi montado um dossiê, conselho regulador, histórico e regulações técnicas. Isso permitiu que fosse provada a notoriedade da cachaça que deu fama a Orizona. O Sebrae também trabalhou a Apacor, pois para se conseguir a IG é preciso ter uma entidade forte para ser a guardiã.
Selo amplia possibilidades e exige governança
Presente em todo esse processo, o analista e gestor estadual de Indicação Geográfica do Sebrae Goiás, João Luiz Prestes Rabelo, disse que a IG para a cachaça de Orizona representa um ativo que pode fortalecer economicamente o município, não somente colocando o produto em prateleiras do Brasil e de outros países, mas criando experiências turísticas. E o Sebrae já pensa no Circuito das Cachaças de Alambique para fomentar esse setor. Outra vertente é a retomada do Festival da Cachaça de Orizona.

João Luiz também destacou que o selo gera interesse para a profissionalização e para que as gerações mais novas aprendam o ofício com os mestres, já que é esse conhecimento que garante a fama da bebida de Orizona. Segundo o analista, o momento agora é de saber aproveitar o selo do INPI. “Não pode conquistar e deixar na gaveta. Precisa saber utilizar, manter o grupo forte, buscar linhas de crédito e fomentos, e trabalhar o registro das agroindústrias no Ministério da Agricultura”, completou João Luiz.
O analista também reforçou que o Sebrae segue ao lado dos produtores de cachaça de Orizona para colocá-los em eventos que possam difundir a bebida, tanto no Brasil quanto no exterior. E segundo João Luiz, a IG oferece a oportunidade dos diferentes donos das cachaças se unirem para vender seus produtos em uma escala maior. “Às vezes um país procura a gente querendo uma produção maior, muitos litros para compensar o comércio internacional. Então eu acho que essa também é uma oportunidade”, explicou.

O gerente da Regional Centro-Leste do Sebrae Goiás, Sérgio Monturil, também destacou o apoio da instituição nos próximos passos após a conquista da IG. Segundo ele, a mais importante é o registro da agroindústria no Ministério da Agricultura, mas também a preservação da marca e a gestão do negócio. “O Sebrae pode ajudar em todos esses momentos”, destacou, lembrando que a notoriedade que o selo dá à cachaça de Orizona é um diferencial pouco visto no mercado.
O analista João Luiz também citou algumas ações a partir de agora, como o controle e rastreabilidade para utilização do selo, evitando piratarias, a preservação da memória com ações junto às novas gerações e a manutenção de uma governança forte e organizada por parte da Apacor.

O prefeito de Orizona, Felipe Dias, se comprometeu a dar esse apoio para que a cachaça de Orizona alcance novos mercados e ajude a cidade a crescer economicamente. Em discurso, o mandatário afirmou que o selo concedido pelo INPI é “algo grandioso e histórico”, fruto de um trabalho em conjunto dos produtores, através da Apacor, e de parceiros fundamentais para Orizona.
Noite também foi de homenagens
A noite também foi de homenagens aos produtores de cachaça de Orizona, com um momento especial para reconhecer o trabalho do professor aposentado da UnB José Natal Barbosa, que ao lado da esposa Maria Luiza produz a Cachaça Minha Saudade na Fazenda Marinheiro, mantendo viva uma tradição iniciada na propriedade ainda na década de 1930.

José Natal não só imprimiu tecnologia e mais qualidade à tradição iniciada na fazenda que pertenceu à família da sua esposa, como também iniciou estudos sobre a história da cachaça em Orizona, permitindo que esses dados dessem robustez ao relatório apresentado ao INPI.
“Vivemos agora a fase da profissionalização de uma bebida cuja tendência é o luxo, voltada à apreciação, portanto com entrada em mercados com grande valor agregado. O selo do INPI traz o reconhecimento oficial daquilo que todo mundo já fala, que é a boa cachaça de Orizona”, afirmou José Natal.

Vinícius Mendes, da Cachaça Éden, ressaltou que a IG abre portas e dá o respaldo que a cachaça de Orizona precisa e merece, pois se trata de uma bebida “realmente muito boa”. “Vamos acessar mercados não só em todo o Estado, mas nacionalmente e até projetos internacionais, mais avançados e mais ousados”, completou.

Produtor da Cachaça do Cantor e responsável por manter uma tradição iniciada pelo avô, Gilson Vieira dos Santos comentou que o selo do INPI é o pontapé para que o setor se organize mais, com força e possibilidade de levar a bebida para diferentes regiões do país e do mundo.

A chegada em outros mercados também foi destacada pelo produtor Paulo Henrique de Castro Corrêa, dono da Cachaça Corrêa, produzida desde 1987. Para ele, a Indicação Geográfica incentiva a profissionalização e busca pela adequação às normas de agroindústria, o que fortalece ainda mais o setor.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Centro-Leste | Anápolis: Agência Entremeios Comunicação / Leidiana Batista – (62) 9862-66155
Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.
Siga-nos em nossas redes sociais: Instagram, Facebook, YouTube e LinkedIn
Fonte: Agência Sebrae de Notícias
