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Uma vida perdida a cada 24 horas: Mato Grosso do Sul soma 106 assassinatos em 86 dias

A cada dia que passa em Mato Grosso do Sul, uma vida é interrompida de forma violenta. De acordo com estatística da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), nestes primeiros 86 dias de 2026, o Estado já contabiliza 106 assassinatos. O índice retrata a média de 1,2 mortes por dia.

Do total de casos, 94 foram classificados como homicídio doloso, 8 como feminicídio e 4 como lesão corporal seguida de morte, compondo um retrato que mistura crimes ligados à criminalidade comum, execuções e violência de gênero.

Essa média diária se materializa em episódios recentes registrados em Campo Grande, por exemplo. Na região da Cachoeira do Inferninho, dois corpos foram encontrados em um intervalo de apenas dois dias, reforçando a sensação de continuidade da violência.

As vítimas, identificadas como Giovana Castura Werner, de 51 anos, e Guilherme Carlos Canozi, de 29, morreram em circunstâncias distintas. Giovana foi executada com um disparo na testa. Após o registro de desaparecimento, o carro dela foi localizado abandonado com vestígios de sangue, uma pá e um projétil — indícios que sugerem tentativa de ocultação do crime.

Guilherme foi encontrado anteriormente por praticantes de rapel e utilizava tornozeleira eletrônica. A investigação aguarda autorização judicial para acessar o histórico do dispositivo e reconstruir seus últimos passos. Apesar da proximidade geográfica, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa trabalha, até o momento, com a hipótese de que os casos não têm relação.

Outro episódio recente, envolvendo o ex-prefeito Alcides Bernal, também ganhou repercussão e reforça como a violência letal atinge diferentes perfis, ampliando a percepção de insegurança. O ex-prefeito matou o servidor público Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, com dois tiros, e o motivo teria sido a negativa dele para entregar uma casa, cuja posse perdeu para a vítima em leilão.

Para especialistas em segurança pública, a repetição desse tipo de ocorrência não é aleatória. Análises do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que estados com características de fronteira, como Mato Grosso do Sul, convivem com dinâmicas específicas, como disputas por rotas do tráfico, atuação de facções e circulação de armas. A isso se somam fatores internos, como violência doméstica — refletida nos feminicídios — e a vulnerabilidade social, que expõe principalmente jovens à criminalidade.

Ainda segundo estudos na área, a redução consistente de homicídios depende de um conjunto de medidas que vão além da repressão: integração entre forças de segurança, uso de inteligência e políticas públicas voltadas à prevenção.

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