Viver em Campo Grande está cada vez mais caro. E não é apenas percepção.
Viver em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, já exige mais de R$ 3 mil por mês para cobrir despesas básicas. O problema é que o salário mínimo no Brasil em 2026 é de R$ 1.621, valor que não chega nem perto de sustentar o custo real de vida.
Os dados mais recentes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que só a alimentação já compromete uma fatia pesada da renda. Em janeiro de 2026, a cesta básica em Campo Grande custou R$ 783,41.
Isso significa que um trabalhador que recebe salário mínimo precisa comprometer cerca de 52% da renda líquida apenas para comer. Na prática, metade do salário desaparece antes mesmo de pagar aluguel, transporte ou contas. E esse é só o começo.
A própria estimativa do Dieese mostra um cenário ainda mais duro: para sustentar uma família com dignidade no Brasil, o salário mínimo necessário deveria ser superior a R$ 7 mil por mês, mais de quatro vezes o valor atual. Ou seja, o mínimo oficial está muito distante do custo real de vida.
Moradia cara
Em Campo Grande, a moradia entra como segundo grande peso no orçamento. Embora não exista um índice único oficial para aluguel por cidade, os custos seguem a inflação geral medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pressionando despesas como energia, água e serviços básicos.
Somando alimentação, moradia, transporte e contas essenciais, especialistas apontam que o custo mensal básico gira entre R$ 3 mil e R$ 4,5 mil na capital. Para uma vida com mais conforto, o valor pode ultrapassar os R$ 5 mil.
O transporte também entra nessa conta. Em uma cidade com grandes distâncias urbanas, gastos com combustível, manutenção ou transporte público são inevitáveis e ampliam ainda mais o peso no orçamento.
Os dados ajudam a explicar a sensação comum entre moradores: viver em Campo Grande está cada vez mais caro. E não é apenas percepção.
A alta nos preços dos alimentos, os custos logísticos e a valorização de áreas urbanas estão entre os principais fatores apontados por especialistas para esse cenário.
O resultado aparece no dia a dia: famílias apertando gastos, reduzindo consumo e buscando alternativas para complementar a renda.
Campo Grande ainda pode ser mais acessível do que grandes centros do país. Mas os números mostram que essa diferença vem diminuindo rapidamente. E hoje, para quem vive com salário mínimo, a realidade é direta: o básico já custa mais do que se ganha.
Por Laura Holsback
