Único médico do trabalho entre os 81 integrantes do Senado Federal, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) defendeu a abertura imediata do debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 no Brasil. Favorável a medidas que ampliem o tempo de descanso e autocuidado dos trabalhadores, ele avalia que a discussão precisa avançar no Congresso Nacional de forma técnica e equilibrada, levando em consideração os impactos para empresas de menor porte.
Em entrevista ao jornalista Rodrigo Nascimento, da Rádio FM Cidade, o parlamentar afirmou que a proteção à saúde dos trabalhadores deve caminhar junto com medidas que preservem a capacidade de contratação de micro e pequenos empregadores. “Eu sou favorável ao trabalhador. Entre os 81 senadores, sou o único médico do trabalho. Sei o que é um exame admissional, periódico e demissional. Sei o que é insalubridade. Estudei e trabalhei com isso durante toda a minha vida profissional”, afirmou.
Segundo Nelsinho, as transformações ocorridas no mercado de trabalho ao longo das últimas décadas aumentaram os níveis de pressão e desgaste físico e emocional dos profissionais, tornando legítima a discussão sobre novas formas de organização da jornada laboral.
Apesar disso, ele defende que eventuais mudanças sejam acompanhadas de mecanismos de compensação para os setores que poderão enfrentar aumento de custos. “Não podemos resolver um problema criando outro. Se o governo entende que essa é uma política pública importante, também precisa criar mecanismos para apoiar quem gera empregos. Uma alternativa seria reduzir parte da carga tributária daqueles que comprovadamente terão impacto com a mudança”, defendeu.
Para o senador, o Congresso não deve evitar o tema em razão do calendário político ou eleitoral. “Essa pauta chegou ao Parlamento e precisa ser discutida. Não podemos empurrar uma discussão tão importante por causa do calendário eleitoral ou de outros eventos. O Parlamento existe justamente para ouvir opiniões divergentes, promover o debate e construir soluções.”
Comércio exterior e relações internacionais
Durante a entrevista, Nelsinho Trad também comentou temas relacionados à política internacional e ao comércio exterior. Segundo ele, o Brasil deve manter uma postura de diálogo com diferentes parceiros internacionais diante das discussões envolvendo comércio, terras raras e regulamentação das plataformas digitais. “O Brasil precisa conversar com todos os parceiros internacionais. Divergências existem, mas é na mesa de negociação que se constroem soluções. O diálogo sempre será o melhor caminho.”
O senador também defendeu o fortalecimento das relações comerciais entre o Mercosul, a União Europeia e os países que integram a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
Nesta terça-feira (9), a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) analisa o relatório elaborado por Nelsinho Trad sobre o acordo Mercosul-EFTA. A expectativa é que a iniciativa amplie o acesso de produtos brasileiros a novos mercados e gere oportunidades para Mato Grosso do Sul, especialmente em segmentos ligados à indústria da celulose, tecnologia, inovação e saúde.
Política e relações familiares
Ao comentar o cenário político de Mato Grosso do Sul para as eleições de 2026, Nelsinho Trad afirmou que diferenças partidárias não devem interferir nas relações familiares, mesmo diante da pré-candidatura de seu irmão, Fábio Trad, ao Governo do Estado por outro grupo político. “Uma palavra continuará guiando minhas decisões: coerência. Sempre atuei no mesmo campo político e não pretendo mudar de posição por conveniência eleitoral. Ao mesmo tempo, política não pode destruir relações familiares. Podemos pensar diferente, votar diferente e seguir caminhos diferentes sem transformar isso em rompimento ou inimizade.”
O senador também destacou a importância do respeito às divergências na vida pública e privada. “Aprendi dentro de casa que a união da família é algo que deve ser mantido. É esse exemplo que devemos transmitir à sociedade: respeito, diálogo e capacidade de conviver com as divergências.”
