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Mês da Adoção: juíza de MS aponta desafios e o poder transformador do afeto

Na manhã desta quarta-feira, dia 6 de maio, a juíza da Vara da Infância, da Adolescência e do Idoso de Campo Grande, Katy Braun do Prado, concedeu entrevista a um podcast do portal Campo Grande News sobre um tema que transforma vidas: a adoção. Em um bate-papo sensível e esclarecedor, a magistrada abordou os principais aspectos do processo adotivo e reforçou a importância da conscientização, especialmente neste período em que se celebra o Mês Nacional da Adoção. 
Segundo a juíza, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul tem intensificado, ao longo de maio, uma série de ações voltadas à divulgação e ao incentivo à adoção. Entre os temas abordados, destacou o funcionamento do Cadastro Nacional de Adoção e o perfil das crianças e adolescentes disponíveis. 
Um dos pontos que mais chamam a atenção é o descompasso entre o perfil desejado pelos pretendentes e a realidade das crianças acolhidas. “Temos um número muito maior de adolescentes à espera de uma família do que de crianças pequenas”, explicou. Além disso, grupos de irmãos e crianças com problemas de saúde, muitas vezes tratáveis, enfrentam maiores dificuldades para encontrar um lar definitivo. 
A magistrada também trouxe uma reflexão importante sobre diagnósticos de saúde atribuídos a crianças em acolhimento institucional. De acordo com ela, muitos sintomas que inicialmente indicam transtornos podem, na verdade, estar relacionados ao sofrimento emocional causado pela ausência de um ambiente familiar. 
“Quando uma criança é inserida em uma família e passa a viver em um ambiente de afeto e cuidado, frequentemente esses sintomas desaparecem. Às vezes, o que parecia uma doença é, na verdade, um reflexo do desamparo e da vivência institucional”, destacou. 
Outro dado relevante apresentado pela juíza é que apenas cerca de 20% das crianças acolhidas são encaminhadas para adoção. A grande maioria (aproximadamente 80%) retorna à família de origem ou passa a viver com parentes próximos, evidenciando que a adoção é uma das possibilidades dentro de um sistema que prioriza, sempre que possível, a reintegração familiar. 
Para aqueles que desejam adotar, o processo exige preparação. Em Mato Grosso do Sul, os pretendentes passam por um curso oferecido pela Escola Judicial (Ejud-MS), com duração de dois meses na modalidade a distância. A formação aborda aspectos jurídicos, sociais e psicológicos, além de orientações práticas para o cuidado com a criança. Após essa etapa, os candidatos são avaliados por profissionais especializados. 
A juíza também destacou o Projeto Padrinho como uma alternativa para quem deseja contribuir, mas não pretende adotar. A iniciativa permite que voluntários ofereçam apoio afetivo, social e material a crianças e adolescentes em acolhimento, fortalecendo vínculos e ampliando oportunidades. 
Caminhada pela adoção – Como parte das ações do Mês da Adoção, o Tribunal de Justiça promoverá, no próximo dia 24 de maio, uma caminhada em Campo Grande para sensibilizar a população sobre a importância da convivência familiar. 
Com o tema “Entre passos e histórias… nasce uma família”, o evento será aberto ao público. A concentração está marcada para as 7h30, em frente ao Bioparque Pantanal, com saída às 8 horas. O trajeto, de aproximadamente 2,7 quilômetros, seguirá pela Avenida Afonso Pena até a região do Parque dos Poderes, com chegada no bairro Chácara Cachoeira. 
De caráter participativo e não competitivo, a caminhada busca integrar a comunidade e ampliar o debate sobre a adoção. As 200 primeiras pessoas inscritas receberão camiseta oficial do evento, e durante a ação será possível contribuir com doações de leite em pó ou fraldas, que serão destinadas a instituições de acolhimento. 
Como destacou a magistrada ao longo da entrevista, a adoção é um gesto de amor que exige responsabilidade, preparo e, sobretudo, disposição para acolher histórias, muitas vezes marcadas por desafios, com empatia e compromisso. 
Interessados em participar podem se inscrever previamente por meio do link disponibilizado pela organização. Clique aqui para acessar! 

Fonte: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul – TJMS

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