Publicado em 06 maio 2026
•
por Marcio Rodrigues Breda •
Há encontros que se dão pelo olhar; outros, pela escuta.
No Festival América do Sul 2026, a música de concerto transformará Corumbá em território privilegiado. De 14 e 16 de maio o projeto Catedral Erudita apresentará ao público repertórios clássicos, tradições populares e identidades latino-americanas se entrelaçam em uma programação que valoriza a diversidade de linguagens.
Realizado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura e da Fundação de Cultura, o projeto integra mais uma vez a programação do Festival América do Sul, ocupando o Palco Principal, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária e outros espaços simbólicos de Corumbá.
A abertura, na quinta-feira (14), no Palco Principal, apresenta o concerto “Mercedes Sosa – A Voz da América do Sul”. Em uma colaboração entre a Sinfônica de Campo Grande e a Orquestra de Câmara do Pantanal, o espetáculo revisita o universo musical associado a uma das maiores referências da identidade latino-americana.
Com protagonismo vocal de Juci Ibanez, Marta Cel e Lorraine Espíndola, as vozes se integram à textura orquestral, determinando a expressividade do concerto em uma leitura contemporânea marcada pela força simbólica e pelo reconhecimento de pertencimento cultural.
Na sexta-feira (15) a programação segue na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, espaço que acolhe a proposta da Catedral Erudita de aproximar o público da música de câmara. Às 10h, o concerto “Primeiro Amor”, com Eduardo Martinelli e Brenner Rozales, apresenta obras de Patápio Silva, evidenciando o choro como linguagem de concerto — lírica, sofisticada e estruturalmente refinada, em diálogo com sua recente circulação internacional.
Na sequência, o Quarteto Aracy interpreta obras de Ludwig van Beethoven e Luigi Boccherini, explorando a riqueza expressiva e a diversidade da escrita para quarteto de cordas em performances que valorizam o diálogo, a precisão e a escuta compartilhada.
No sábado (16), a programação se desdobra em diferentes momentos e espacialidades. Pela manhã, a atividade “Tradição e Fronteira” evidencia dois universos sonoros que atravessam a cultura sul-americana a partir das cordas. Marcos Assunção, na viola caipira, transita entre tradição e linguagem contemporânea, incorporando elementos do jazz e ampliando as possibilidades expressivas do instrumento.
Na harpa paraguaia, Ossuna Brasa evoca a sonoridade emblemática da região de fronteira, em uma construção sensível e identitária. Em momentos distintos, os artistas dialogam com o quinteto instrumental do Moinho Cultural Sul-Americano, configurando uma experiência que articula repertório, território e diversidade cultural.
Às 18h, na Igreja Matriz, a Orquestra Indígena encerra a programação da Catedral Erudita com uma performance que articula tradição ancestral e linguagem musical contemporânea. Reconhecida como uma das mais relevantes expressões culturais do país, a formação vem ampliando sua projeção internacional, com apresentações na Europa e participação em eventos como o Femina Vox, ao lado da artista da UNESCO para a paz, Guila Clara Kessous, consolidando-se como ponte entre culturas e territórios.
“O Catedral Erudita amplia o alcance da música de concerto, promovendo o encontro entre diferentes repertórios e públicos. É uma iniciativa que valoriza a diversidade cultural e reafirma o compromisso de levar a arte a diferentes espaços e contextos”, explica o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes.
Catedral Erudita
Projeto cultural que busca integrar a música clássica à beleza arquitetônica de espaços sacros do Estado, o Catedral Erudita homenageia a tradição histórica da música de concerto e a adapta aos tempos atuais.
Com o objetivo de democratizar o acesso à música clássica e aproximar novos públicos desse universo artístico, o projeto realiza apresentações que combinam excelência musical e diversidade de repertórios.
Ao longo de suas edições, o projeto trouxe para Mato Grosso do Sul músicos e orquestras de renome nacionais e internacionais, além de ampliar o alcance da arte produzida em nosso Estado.
Ao integrar a programação do Festival América do Sul, a Catedral Erudita reafirma a vocação de Corumbá como cidade de encontros. Em cada apresentação, a música se estabelece como linguagem de aproximação — um convite à escuta, ao reconhecimento e à construção de novas experiências culturais.
SERVIÇO | Catedral Erudita – Festival América do Sul 2026
14 de maio (quinta-feira)
🕢 19h30 – Palco Principal
- Mercedes Sosa – A Voz da América do Sul (Sinfônica de Campo Grande e Orquestra de Câmara do Pantanal)
15 de maio (sexta-feira)
🕙 10h – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária
- Primeiro Amor – Eduardo Martinelli & Brenner Rozales (Patápio Silva)
- Quarteto Aracy – Beethoven & Boccherini
16 de maio (sábado)
🕤 9h30 – Quebra-Torto
- Tradição e Fronteira
(Ossuna Brasa, Marcos Assunção e Moinho Cultural Sul-Americano)
🕕 18h – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária
- Orquestra Indígena
Entrada: gratuita









