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Maquiadora de MS gasta R$ 54 mil em procedimento estético e morre no hall de clínica

A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, moradora de Jardim, em Mato Grosso do Sul, morreu no hall de uma clínica no bairro Brooklin, na zona sul de São Paulo, menos de 24 horas após realizar um procedimento estético com aplicação de PMMA nos glúteos. Segundo informações divulgadas no caso, ela teria desembolsado mais de R$ 54 mil em procedimentos de remodelação corporal.

De acordo com o boletim de ocorrência, Roseli saiu de Mato Grosso do Sul para realizar a intervenção estética na última segunda-feira (25). A aplicação foi feita pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, que informou à polícia ter utilizado 120 ml da substância em cada glúteo, além de 30 ml na parte posterior das coxas.

Após apresentar complicações na manhã seguinte ao procedimento, a maquiadora foi orientada a retornar à clínica para uma nova avaliação. Durante o trajeto até o prédio comercial onde funciona o consultório, Roseli perdeu a consciência dentro de um carro de aplicativo. Ela chegou desacordada ao hall do empreendimento e sofreu uma parada cardiorrespiratória no local.

Em depoimento, a médica afirmou que a paciente apresentou exames sem alterações antes do procedimento e declarou que a aplicação ocorreu sem intercorrências.

Tábita possui pós-graduação em dermatologia, mas não residência médica na especialidade.

Segundo relato da filha da vítima, Roseli deixou a clínica consciente e reclamando apenas de dores na região da aplicação. Na manhã seguinte, porém, começou a passar mal, afirmando sentir chiado no peito e aceleração cardíaca.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, a maquiadora chegou a dizer que acreditava que iria morrer.

A médica e uma recepcionista tentaram prestar os primeiros socorros até a chegada do Samu, mas a morte foi constatada no local.

Roseli teria investido R$ 26.455 pelo procedimento nos glúteos e outros R$ 14.955 pela aplicação na parte posterior das coxas. Um terceiro procedimento, nos quadríceps, ainda estava marcado para o dia em que a maquiadora morreu e custaria R$ 13 mil. Conforme a investigação, todos os pagamentos foram feitos antecipadamente, à vista e via Pix. Somadas, as intervenções estéticas totalizavam R$ 54.410.

PMMA não é indicado para fins estéticos, diz Anvisa

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um polímero sintético derivado do petróleo utilizado como preenchedor em alguns procedimentos médicos. A Anvisa autoriza o uso da substância apenas em situações reparadoras específicas, como correção de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids e sequelas que provocam perda de volume corporal.

O uso para fins exclusivamente estéticos não é recomendado pela agência reguladora.

Em documento encaminhado à Anvisa no ano passado, o Conselho Federal de Biomedicina alertou para riscos associados ao PMMA, incluindo inflamações, reações alérgicas, granulomas, cicatrizes, edemas e complicações tardias.

O conselho também afirmou que atualmente existem substâncias mais modernas e consideradas mais seguras para procedimentos de preenchimento estético.

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