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O que os 39 anos do DOF revelam sobre a transformação da fronteira de MS

Criado em 28 de maio de 1987 com apenas 16 policiais, o hoje consolidado Departamento de Operações de Fronteira (DOF) chega aos 39 anos revelando muito mais do que a história de uma unidade policial. A trajetória do órgão acompanha, na prática, a transformação da fronteira de Mato Grosso do Sul em uma das regiões mais estratégicas do país no combate ao crime organizado.

Quando surgiu, ainda como Grupo de Operações de Fronteira (GOF), o objetivo era reforçar a segurança na região da Grande Dourados. Na época, o efetivo reunia oito policiais militares e oito civis. Era uma estrutura enxuta para enfrentar crimes que, décadas depois, ganhariam dimensão internacional.

A mudança da sede de Campo Grande para Dourados, em 1989, já indicava a necessidade de aproximar o policiamento das áreas mais sensíveis da faixa de fronteira. Em 1996, a transformação do GOF em DOF ampliou a estrutura operacional da unidade. Três anos depois, a atuação também passou a alcançar a fronteira entre Mato Grosso do Sul e a Bolívia.

Hoje, o cenário é outro. O DOF atua em 55 municípios sul-mato-grossenses e monitora mais de 1.600 quilômetros de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, regiões consideradas estratégicas para rotas do tráfico de drogas, contrabando, descaminho e roubo de veículos.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar essa mudança. Desde 2020, o DOF apreendeu mais de 1 milhão de quilos de drogas em Mato Grosso do Sul. O volume evidencia não apenas o trabalho policial, mas também o avanço da atuação de organizações criminosas que utilizam a fronteira sul-mato-grossense como corredor logístico para abastecer diferentes regiões do país.

Ao longo das últimas décadas, a dinâmica da criminalidade na fronteira também mudou. O que antes estava concentrado principalmente no contrabando e em crimes locais passou a envolver facções estruturadas, rotas internacionais e operações cada vez mais sofisticadas.

Nesse contexto, o crescimento do DOF acompanha diretamente o aumento da pressão do crime organizado na região. A unidade deixou de ser um pequeno grupo regional para se tornar referência nacional em policiamento de fronteira.

Para o diretor do DOF, tenente-coronel Wilmar Fernandes, os 39 anos da instituição representam o legado construído por diferentes gerações de policiais. “São 39 anos de compromisso com a segurança pública, de enfrentamento ao crime organizado e de proteção da nossa fronteira. O DOF é resultado do trabalho e da dedicação de homens e mulheres que, ao longo dessas décadas, construíram uma unidade respeitada em todo o Brasil”, destacou.

Como parte das comemorações do aniversário da unidade, será realizada neste sábado (31), em Dourados, a 3ª Corrida Águia da Fronteira. Já no dia 3 de junho, acontece a formatura de mais 31 policiais especializados no CEPFRON (Curso de Especialização em Policiamento de Fronteira), reforçando o efetivo voltado à atuação na região de fronteira.

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