O artesanato brasileiro tem conquistado cada vez mais reconhecimento como ativo cultural e econômico estratégico. Atualmente, o país soma 20 Indicações Geográficas (IGs) de artesanato reconhecidas, que envolvem 263 municípios, distribuídos por 12 unidades da Federação, nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. A maior concentração está no Nordeste, responsável por 13 registros, refletindo a força do saber-fazer tradicional como vetor de desenvolvimento territorial.
Além das IGs já concedidas, o movimento segue em expansão. A mais recente foi dada a Taubaté (SP), no último dia 18, por suas figuras de artesanato em argila. Há um pedido em análise no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) — a cerâmica de Rosário (MA) — e 13 potenciais IGs em fase de estruturação, apoiadas pelo Sebrae em nove estados. Esses projetos abrangem quatro regiões do país, incluindo o Sul, e demonstram o interesse crescente das comunidades artesãs em proteger e valorizar seus produtos de origem.
A Indicação Geográfica funciona como um selo coletivo que associa o produto ao território, às matérias-primas locais e às técnicas tradicionais. Segundo Maíra Fontenele Santana, analista de projetos da Unidade de Inovação do Sebrae Nacional, a valorização não ocorre de forma imediata, mas abre caminhos importantes. “O registro oferece mais segurança jurídica, fortalece a governança local e amplia oportunidades de negócios, além de estimular o turismo e novas parcerias com o poder público e a iniciativa privada”, afirma.

Diferencial competitivo
Do ponto de vista econômico, os impactos são relevantes. Estudos e experiências acompanhadas pelo Sebrae indicam que, após o reconhecimento da IG, os produtos artesanais passam a acessar novos mercados, ganham maior visibilidade e, em média, registram incrementos de rentabilidade que podem variar entre 30% e 100%, dependendo do segmento, do nível de organização coletiva e da estratégia comercial adotada. Em alguns casos, peças certificadas chegam a ser comercializadas por valores até duas vezes superiores aos produtos similares sem o selo.
O Diagnóstico do Artesanato Brasileiro, elaborado pelo Sebrae Nacional, destaca que inovação, design, identidade territorial e economia criativa são elementos centrais para a competitividade do setor. A aproximação entre artesãos e designers, quando guiada pela ética e pelo respeito ao saber tradicional, tem gerado novos conhecimentos técnicos e estratégias de inserção no mercado, sem descaracterizar a identidade cultural dos produtos.

União e força
Um exemplo emblemático é o Bordado Filé, da Região das Lagoas Mundaú-Manguaba, em Alagoas. A artesã Petrúcia Ferreira Lopes, que aprendeu a técnica no bairro do Pontal da Barra, em Maceió, acompanhou de perto a transformação trazida pela IG.
Com o apoio do Sebrae, as artesãs criaram o Instituto do Bordado Filé da Região das Lagoas Mundaú-Manguaba (Inbordal), fortaleceram o trabalho coletivo e estruturaram critérios de remuneração conforme a complexidade dos pontos. “Aprendemos que juntas somos mais fortes. A IG trouxe valorização financeira e ampliou o alcance dos nossos produtos”, relata.
Em Sergipe, a Renda Irlandesa de Divina Pastora, reconhecida como IG e também como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), revela impacto semelhante. Para Maria José Souza, da Associação para o Desenvolvimento da Renda Irlandesa de Divina Pastora (Asderen), o selo fortaleceu o senso de pertencimento e impulsionou a qualificação das rendeiras.
As peças passaram a ter valor agregado, abrimos novos espaços de comercialização e ganhamos reconhecimento em todo o Brasil.
Maria José Souza, artesã
Além do ganho econômico, a IG cumpre um papel estratégico de proteção à propriedade intelectual, um dos desafios mapeados pelo Sebrae no Eixo de Artesanato e Propriedade Intelectual. “O reconhecimento transforma o saber tradicional em um ativo protegido, diferenciando o artesanato autêntico das réplicas industriais e garantindo que a identidade local seja respeitada e remunerada. Ao associar cultura, inovação e mercado, as Indicações Geográficas consolidam-se como uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento sustentável do artesanato brasileiro”, enfatiza Maíra Fontenele Santana.
Prêmio TOP 100
Vem aí a 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 do Artesanato Brasileiro, a principal premiação nacional voltada ao reconhecimento da excelência, competitividade e inovação nos pequenos negócios artesanais brasileiros. O Sebrae vai lançar a nova edição do prêmio no dia 24, durante as comemorações do Dia do Artesão, no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro.
A expectativa é alcançar 1.500 inscrições de unidades produtivas artesanais (artesãos e grupos, como associações e cooperativas) de todas as regiões do país. O processo seletivo envolve etapas de inscrição online, avaliação técnica de produtos, análise de processos produtivos e de gestão, além de um júri final que selecionará os 100 empreendimentos artesanais mais competitivos do Brasil.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias
