O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, criticou nesta segunda-feira (8) as propostas de redução da jornada de trabalho que estão em discussão no Congresso Nacional. Segundo ele, medidas como a diminuição da carga semanal de 44 para 40 ou até 36 horas podem gerar impactos diretos no setor produtivo, com reflexos sobre os custos, os preços e a competitividade das empresas. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Noticidade, da rádio FM Cidade 97.
Para Longen, o debate precisa ser conduzido com responsabilidade e levar em consideração os efeitos econômicos das mudanças. Segundo ele, a redução da jornada representa aumento de custos para as empresas.“Isso é custo. Não tem como você hoje não ser impactado, porque impede o consumo, aumenta os preços. Isso traz uma preocupação para todos nós”, afirmou.
O presidente da Fiems também se posicionou contra a criação de regras mais rígidas na legislação trabalhista e defendeu maior flexibilidade nas relações de trabalho. “O mundo inteiro tem flexibilidade na contratação. O Brasil não, ele quer fazer uma emenda à Constituição escrever que é proibido você trabalhar 36 ou 48. Nós somos contra isso. O governo federal está vendendo para a população que vai trabalhar menos e vai ganhar a mesma coisa. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do mundo. Quem trabalha mais, ganha mais, quem trabalha menos, ganha menos”, declarou.
Falta de mão de obra preocupa setor
Durante a entrevista, Longen afirmou que empresas sul-mato-grossenses enfrentam dificuldades para preencher vagas formais de emprego. Segundo ele, há setores operando com déficit de aproximadamente 10% na força de trabalho.
Na avaliação do dirigente, programas sociais influenciam parte desse cenário. “Infelizmente, no Estado, nós temos inúmeras pessoas dos benefícios sociais que não têm interesse em perder o benefício e não querem trabalhar”, disse.
Qualificação profissional e expansão da indústria
Ao comentar o crescimento industrial de Mato Grosso do Sul, Longen destacou os investimentos realizados pelo Sistema Fiems, por meio do Sesi e do Senai, para qualificação de trabalhadores em regiões que recebem novos empreendimentos.
Ele citou como exemplo as estruturas implantadas em Bataguassu e Ribas do Rio Pardo para atender à demanda gerada pelas obras ligadas ao setor de celulose. Em Ribas do Rio Pardo, segundo ele, aulas estão sendo realizadas em containers para acelerar a formação de profissionais.
O dirigente ressaltou ainda que a indústria oferece remuneração acima da média de outros segmentos e destacou que o Senai disponibiliza mais de 200 cursos de qualificação, incluindo opções gratuitas.
Longen também abordou os desafios provocados pelo avanço industrial do Estado. Segundo ele, o crescimento econômico aumenta a demanda por infraestrutura e logística, mas reforça a posição de Mato Grosso do Sul como destino atrativo para investimentos.
Entre os diferenciais apontados pelo presidente da Fiems estão a segurança energética, a qualificação profissional, o apoio à instalação de empresas e a agilidade nos processos de licenciamento ambiental.
Apesar das críticas ao cenário econômico nacional, Sérgio Longen afirmou que mantém uma expectativa positiva para a indústria sul-mato-grossense ao longo do ano.
O dirigente, no entanto, manifestou preocupação com fatores como juros elevados, endividamento das famílias e crescimento do déficit público. “Estamos preocupados sim, mas acreditamos que nas eleições a gente consegue resolver um pouco dessa demanda”, concluiu.
