InícioMato Grosso do SulMS usa inteligência de dados para melhorar gestão da saúde pública

MS usa inteligência de dados para melhorar gestão da saúde pública

Mato Grosso do Sul começou a transformar dados em ferramenta estratégica para melhorar a saúde pública. Com a adoção do modelo ApuraSUS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, o Estado passou a monitorar de forma mais precisa quanto custa cada atendimento, internação e procedimento realizado pelo SUS.

A iniciativa, implantada pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) em 2026, integra o Programa Nacional de Gestão de Custos (PNGC) e já vem mudando a forma como decisões são tomadas dentro da rede pública estadual.

Mais do que controlar despesas, o novo sistema permite identificar onde os recursos estão sendo aplicados, quais áreas demandam maior investimento e como melhorar a qualidade do atendimento prestado à população.

Para ampliar a análise das informações, a SES também desenvolveu um painel de Business Intelligence (BI), que organiza e cruza dados em tempo real, oferecendo uma visão detalhada da estrutura hospitalar e dos custos da assistência. A experiência de Mato Grosso do Sul já foi apresentada nacionalmente como referência recente em economia da saúde.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, o objetivo é tornar a gestão mais eficiente e baseada em evidências.

“É uma série de medidas para qualificação dos custos da assistência focada no melhor aproveitamento e distribuição dos recursos em toda a rede, de forma a ampliar os resultados na prestação dos serviços em saúde pelo Estado”, afirmou.

No Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, por exemplo, os dados já permitem calcular o custo médio por atendimento no pronto-socorro, por paciente internado e até por diária em leitos de UTI. As informações ajudam a identificar diferenças entre unidades hospitalares, compreender o perfil dos atendimentos e melhorar o planejamento da rede.

Os levantamentos também mostram que cerca de 70% dos custos hospitalares estão relacionados à folha de pessoal, dado considerado essencial para o planejamento financeiro e administrativo.

Além disso, o sistema consegue separar despesas diretas e indiretas, apontando quanto medicamentos, exames e estrutura administrativa impactam em cada procedimento. A proposta é reduzir desperdícios sem comprometer a assistência.

Coordenador do Núcleo de Economia da SES, Onofre Junior explica que o detalhamento dos dados permite decisões mais rápidas e eficientes.

“Hoje a gente já consegue entender quanto custa cada serviço e onde estão os principais gastos. Isso permite tomar decisões mais assertivas e melhorar a aplicação dos recursos”, destacou.

Apesar dos avanços, a SES reconhece que o principal desafio ainda está na coleta e padronização das informações nas unidades de saúde. Por isso, equipes técnicas vêm reforçando ações de capacitação e sensibilização junto aos profissionais da rede.

A lógica adotada pelo Estado segue o conceito de valor em saúde: investir melhor para gerar melhores resultados aos pacientes. A intenção é otimizar recursos, ampliar o acesso aos serviços e qualificar o atendimento oferecido pelo SUS.

A iniciativa ganhou força com a criação oficial do Núcleo de Economia em Saúde dentro da SES, estruturado por meio da Resolução nº 227/SES/MS, publicada em 2024, e complementada por norma conjunta da SES e da FUNSAU em 2025, que definiu a equipe técnica responsável pela gestão dos custos na saúde estadual.

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