InícioCotidianoMS registra 2.468 mortes de bebês e 21 de gestantes; maioria dos...

MS registra 2.468 mortes de bebês e 21 de gestantes; maioria dos óbitos poderia ser evitada

Entre 2021 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 2.468 mortes de bebês com menos de 1 ano de idade, representando média de quase 500 por ano. Os dados constam no boletim epidemiológico do Comitê de Mortalidade Materna, Fetal e Infantil de Mato Grosso do Sul (2026) e acendem um alerta importante sobre a saúde pública no estado. Por outro lado, 21 gestantes morreram somente em 2025. O estudo, divulgado nesta semana, mostra que maioria dos óbitos poderia ser evitada.

Segundo o boletim, a maior parte das mortes dos bebês, cerca de 67%, está ligada a problemas que começam ainda na gestação, no parto ou logo após o nascimento. Entre as principais causas estão infecções graves no recém-nascido, dificuldade para respirar e complicações relacionadas à saúde da mãe durante a gravidez.

Os números mostram que o risco é maior nos primeiros dias de vida. O chamado período neonatal, que vai até o 27º dia, concentra a maioria das mortes, o que indica a importância de um pré-natal bem feito e de um atendimento de qualidade no parto e nos primeiros cuidados com o bebê.

A taxa de mortalidade infantil no estado preocupa. De acordo com o boletim, em 2021, eram 10,68 mortes a cada mil nascidos vivos. Esse número subiu e chegou ao pior cenário em 2023, com 13,67. Depois disso, houve leve queda, mas o índice ainda permanece alto: 12,95 em 2025.

Esse patamar está acima do recomendado internacionalmente. Nos compromissos assumidos pelos países junto à Organização das Nações Unidas, a meta é reduzir a mortalidade neonatal para até 5 mortes por mil nascimentos até 2030. Em Mato Grosso do Sul, a taxa foi de 7,58 em 2025, mais de 50% acima do objetivo.

Outro problema apontado no relatório é a falta de informações detalhadas sobre as causas de algumas mortes fetais. Em muitos casos, não há um diagnóstico claro, o que dificulta entender o que deu errado e impede a criação de soluções mais eficazes.

Óbitos de gestantes também preocupam

O boletim também traz dados sobre a morte de gestantes e mulheres no pós-parto. Em 2025, foram registrados 21 óbitos maternos em Mato Grosso do Sul, número considerado acima do ideal pela Organização Mundial da Saúde.

A maioria dessas mortes aconteceu após o parto, período que exige acompanhamento médico contínuo, mas que ainda apresenta falhas no atendimento. O perfil mais comum é de mulheres entre 30 e 39 anos.

Segundo o levantamento, grande parte dessas mortes poderia ter sido evitada. Os principais problemas foram complicações de pressão alta e hemorragias: situações que, com atendimento rápido e adequado, têm grandes chances de controle.

O que precisa mudar

Os dados mostram que ainda existem falhas importantes no atendimento à saúde de mães e bebês. Especialistas apontam que é preciso melhorar desde o pré-natal até o acompanhamento após o parto, garantindo que a mulher continue sendo assistida mesmo depois de deixar a maternidade.

Também é necessário integrar melhor os serviços de saúde, desde os postos básicos até os hospitais, além de investir na capacitação das equipes e na estrutura de atendimento, especialmente em cidades menores.

Outro ponto fundamental é investigar melhor cada morte, para entender suas causas e evitar que novos casos aconteçam. Nesse processo, os comitês de prevenção têm papel essencial ao analisar os dados e orientar ações mais eficazes.

O cenário reforça um alerta claro: muitas dessas mortes poderiam ser evitadas. E reduzir esses números depende diretamente de melhorar a qualidade do atendimento e garantir acesso à saúde para todas as mães e crianças.

Matérias relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui