Discussão envolvendo um colchão usado como proteção contra o frio teria motivado o incêndio que matou Gilvan de Assis Figueiredo, 45 anos, na madrugada de sexta-feira (22), no Jardim Itália, em Dourados. A suspeita do crime, Loara de Oliveira Ansini, de 36 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada no sábado (23). Ela foi autuada por homicídio qualificado.
Segundo a investigação, Loara e Gilvan viviam em situação de rua e eventualmente dormiam juntos no banheiro externo do bar para se proteger das baixas temperaturas durante a madrugada. No dia do crime, conforme apurado pela polícia, a vítima teria pegado o colchão utilizado pelos dois e ido sozinha para o banheiro para dormir.
A situação teria provocado uma discussão momentos antes do incêndio e incentivado Loara a colocar fogo no banheiro com Gilvan dentro. Imagens de câmara de segurança gravaram o momento do crime e os gritos de socorro feitos pela vítima, que ficou trancada.
Em depoimento inicial, a mulher afirmou que estava sob efeito de álcool e entorpecentes e que teria acendido um isqueiro para usar crack, sem perceber que o fogo acabou atingindo o local.
O incêndio aconteceu por volta das 4h40 em um bar localizado no cruzamento das ruas dos Alpes e Belo Horizonte. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para controlar as chamas e, após o combate ao fogo, encontraram Gilvan morto sobre o vaso sanitário.
Suspeita de tentar incendiar gestante
Durante as investigações, outro caso parecido envolvendo a suspeita também passou a ser apurado pela polícia. Uma gestante de 25 anos procurou a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e denunciou Loara por uma tentativa de incêndio registrada no dia 19 de abril deste ano.
Segundo o boletim de ocorrência, após uma discussão, a suspeita teria jogado acetona sobre o corpo da vítima e ateado fogo em seguida.
A mulher sofreu queimaduras graves no braço direito e nas costas. Inicialmente, ela foi socorrida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois transferida para a Santa Casa de Campo Grande, onde permaneceu internada no setor de queimados.
Conforme o registro policial, a situação colocou em risco a vida da gestante e do bebê. A vítima relatou que só conseguiu procurar a polícia após passar pelo período de recuperação médica.
Os dois casos seguem sob investigação da Polícia Civil.

