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Como nasce um disco? Banda de MS abre os bastidores da produção musical para universitários

O que acontece entre a composição de uma música e o momento em que ela chega aos aplicativos de streaming ou às prateleiras em formato de vinil? Essa foi a pergunta que guiou uma experiência promovida pela banda sul-mato-grossense Os Alquimistas para estudantes do curso de Música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

A atividade integrou as ações de contrapartida social do projeto de gravação do primeiro álbum da banda, aprovado pelo Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC), e transformou a sala de aula em uma verdadeira imersão nos bastidores da produção musical profissional.

Durante o encontro, os estudantes tiveram acesso a etapas normalmente restritas aos estúdios de gravação. Ao lado dos integrantes Leotta, Perim e Bo Loro, além do produtor musical Anderson Rocha, do Estúdio 45, os participantes acompanharam processos de gravação, edição, mixagem, masterização e preparação do álbum para lançamento.

Mais do que uma palestra, a atividade apresentou um projeto real em desenvolvimento. Os alunos puderam observar sessões de gravação das músicas que integram o novo disco da banda, acompanhar a organização das faixas, entender as escolhas técnicas e artísticas realizadas durante a produção e conhecer os recursos utilizados em um estúdio profissional.

Experiência prática dentro da universidade

Segundo Leotta, tecladista e vocalista dos Alquimistas, a iniciativa surgiu da ligação dos próprios integrantes com a universidade.

“Pensamos nessa ação como contrapartida social dentro do nosso projeto aprovado pelo FMIC. Eu e o Perim somos alunos do curso de Licenciatura em Música da UFMS, então a ideia surgiu a partir dessa nossa vivência acadêmica. O professor Max Packer abraçou a proposta e nos permitiu incluir a atividade dentro do cronograma do projeto”, explica.

Durante a apresentação, a banda compartilhou detalhes técnicos da produção do álbum e mostrou aos estudantes as chamadas DAWs (Digital Audio Workstations), softwares utilizados na gravação e edição musical.

Por meio dessas ferramentas, os participantes puderam visualizar as pistas isoladas dos instrumentos, acompanhar processos de edição e entender como as diferentes camadas sonoras são organizadas até o resultado final.

“Pudemos trazer a nossa experiência e vivência dentro de um estúdio profissional. Durante a palestra mostramos as DAWs de duas faixas do disco, apresentando as linhas isoladas dos instrumentos, as mixagens, masterizações e até os processos de seleção das gravações que foram aproveitadas para compor o álbum”, afirma Leotta.

Produção musical na prática

Para o professor Max Packer, responsável pela disciplina Música e Tecnologia e coordenador do projeto de extensão Estúdio UFMuS, o contato com uma produção profissional em andamento despertou grande interesse entre os estudantes.

“Os alunos demonstraram bastante interesse, sobretudo em relação à trajetória da banda, como tudo começou e se consolidou. Creio que o fato de tratar-se de um trabalho feito por colegas contribuiu com esse interesse. A exposição sobre os processos de gravação e pós-produção também veio muito a calhar, sobretudo por ir de encontro com as práticas de produção que temos desenvolvido na disciplina”, destaca.

Segundo o professor, embora os alunos já realizem gravações e projetos de produção musical dentro da universidade, acompanhar o desenvolvimento completo de um álbum proporciona uma visão mais ampla do mercado fonográfico.

“O universo da produção musical é vastíssimo e o processo de produção de um disco inteiro envolve um tipo de imersão que normalmente parece distante da realidade dos estudantes. A aula com Os Alquimistas certamente contribuiu para tornar mais palpável o que significa gravar um disco e aproximá-los ainda mais dos processos de produção”, avalia.

Cultura, mercado e oportunidades

Além de abordar aspectos técnicos, o encontro também apresentou caminhos profissionais para músicos independentes, especialmente por meio de editais públicos de incentivo à cultura.

Para Max Packer, conhecer a experiência da banda na elaboração e execução de um projeto financiado por edital ajuda os estudantes a enxergarem novas possibilidades para suas próprias carreiras.

“Muitos dos nossos alunos atuam profissionalmente, mas a maioria ainda não se aventurou pelo caminho dos editais de cultura. O contato com a experiência dos Alquimistas na elaboração e execução de um projeto dessa natureza serve de exemplo e incentivo importante para que eles se voltem com um olhar mais profissional para o próprio trabalho como músicos”, afirma.

A aproximação entre universidade, artistas e mercado cultural deve continuar. De acordo com o professor, novas parcerias entre a UFMS, a banda e o Estúdio 45 já estão sendo planejadas, incluindo futuras gravações e atividades voltadas à formação dos estudantes.

O projeto de gravação do primeiro álbum dos Alquimistas conta com recursos do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC) e é executado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).

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