Neste domingo (17), Rudi Fiorese completa 66 anos e vive o momento mais delicado de sua trajetória pública. Ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande e ex-presidente da Agesul, ele está preso preventivamente, após ser alvo da Operação Buraco Sem Fim, investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) que apura supostas irregularidades em contratos milionários de tapa-buraco na Capital.
Nome histórico da engenharia pública em Mato Grosso do Sul e figura influente nas administrações municipais e estaduais nas últimas décadas, Fiorese agora ocupa o centro de uma das maiores investigações recentes envolvendo contratos de manutenção viária na Capital.
A prisão de Fiorese ocorreu na terça-feira (12), durante operação conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). No dia seguinte, a Justiça manteve a prisão preventiva em audiência de custódia.
Além dele, empresários e servidores públicos também foram detidos na operação. A investigação apura suspeitas de fraudes em contratos de tapa-buraco e manutenção de vias públicas em Campo Grande. O foco do inquérito são contratos de manutenção de vias pavimentadas e estradas sem asfalto executados entre 2018 e 2025. Segundo o MPMS, há indícios de que medições de serviços teriam sido manipuladas para justificar pagamentos acima do que realmente foi executado.
A suspeita é de que dinheiro público tenha sido liberado para serviços parcialmente realizados ou até não executados, enquanto moradores continuavam enfrentando ruas esburacadas em diferentes regiões da cidade.
Documentos apresentados pelo Gecoc à Justiça apontam que o ex-secretário teria exercido papel central na validação de planilhas, medições e liberações de pagamentos relacionados aos contratos investigados. Os promotores sustentam que havia uma estrutura paralela para operacionalizar os pagamentos às empresas alvo da operação.
Fiorese comandou a Sisep entre 2017 e 2023, durante a gestão do então prefeito Marquinhos Trad. Em fevereiro deste ano, chegou à presidência da Agesul, órgão responsável por obras públicas estaduais. A investigação, porém, concentra-se no período em que ele esteve à frente da Secretaria Municipal de Infraestrutura.
Após a operação, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou a exoneração de Fiorese da presidência da Agesul. Em nota, informou que acompanha as investigações e reforçou que os fatos apurados dizem respeito à atuação anterior do engenheiro na Prefeitura de Campo Grande.
A Operação Buraco Sem Fim também reacendeu discussões sobre a qualidade histórica do serviço de tapa-buraco em Campo Grande, alvo frequente de reclamações da população. O MPMS afirma investigar contratos que, juntos, ultrapassam R$ 113 milhões.
Enquanto a investigação avança, o aniversário de 66 anos transforma-se em um símbolo da queda abrupta de um homem que, por anos, ocupou cargos estratégicos na gestão de obras públicas em Mato Grosso do Sul.

