Campo Grande recebe na próxima segunda-feira (18) uma mobilização voltada ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O Debate Público Maio Laranja será realizado às 8h30, na Câmara Municipal, reunindo autoridades, profissionais da rede de proteção, representantes da Justiça, segurança pública, educação, assistência social e instituições ligadas à defesa da infância.
A iniciativa marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e acontece em meio ao aumento das denúncias de violência infantil no país.
O encontro pretende ampliar a conscientização, fortalecer o debate público e integrar ações de prevenção e acolhimento às vítimas. Participam do evento representantes da Vara da Infância e Juventude, conselheiros tutelares, lideranças religiosas, profissionais da rede municipal e estadual de ensino, além de entidades de acolhimento e organizações sociais.
Os números reforçam o alerta. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que o Disque 100 registrou mais de 657 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2024, crescimento de 22,6% em relação ao ano anterior. No recorte da violência sexual infantil, estimativas nacionais indicam que sete casos de estupro de vulnerável são registrados por hora no Brasil. Especialistas, porém, afirmam que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação.
Outro fator que preocupa as autoridades é que cerca de 80% dos casos acontecem dentro do ambiente familiar ou em círculos de confiança da vítima. O crescimento dos crimes no ambiente digital também acendeu um novo sinal de alerta. Somente em 2025, o país já contabilizou mais de 49 mil denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet.
A campanha Maio Laranja nasceu em Mato Grosso do Sul. Em 2017, o vereador Herculano Borges, então deputado estadual, foi autor da lei que instituiu a mobilização no Estado. Posteriormente, a iniciativa ganhou reconhecimento nacional e passou a integrar oficialmente as ações do Ministério dos Direitos Humanos.
Segundo Herculano, o enfrentamento à violência infantil exige mobilização permanente da sociedade e fortalecimento das redes de proteção.
“Quando falamos em violência contra crianças e adolescentes, estamos falando de uma realidade que muitas vezes acontece em silêncio. Precisamos fortalecer a conscientização, incentivar a denúncia e unir toda a rede de proteção em defesa da infância”, afirmou.
O Debate Público também contará com a participação do Projeto NOVA Transforma, referência em atendimento psicossocial e ações preventivas voltadas ao enfrentamento do abuso infantil. A coordenadora do projeto, Viviane Vaz, será uma das palestrantes e abordará temas ligados à prevenção, acolhimento e fortalecimento das redes de apoio.
Durante todo o mês, o projeto promove palestras em escolas, capacitações para profissionais, ações em igrejas e atividades educativas voltadas à proteção de crianças e adolescentes.
“A violência contra crianças e adolescentes não pode ser naturalizada. Precisamos romper o silêncio e fortalecer cada vez mais as redes de proteção”, destacou Viviane.
O evento é aberto ao público e também contará com cobertura da imprensa.

