O frio muda o humor, a rotina e até a fome. E não são apenas seres pensantes que sentem isso. Os cães também.
Com a queda das temperaturas, muitos tutores começam a perceber a mesma cena dentro de casa: o pote de ração esvazia mais rápido, o cachorro pede comida fora de hora e parece passar mais tempo procurando um canto quente para descansar. O comportamento tem explicação científica e veterinária.
De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP), o organismo dos cães pode gastar mais energia para manter a temperatura corporal durante períodos frios, o que aumenta naturalmente a necessidade calórica de alguns animais.
A lógica é parecida com a dos humanos. Em dias frios, o corpo trabalha mais para preservar calor. Nos cães, isso pode significar aumento do apetite, mudanças de comportamento e maior busca por conforto térmico.
Segundo especialistas do CRMV-SP, em alguns casos pode ser necessário aumentar entre 10% e 20% a quantidade de alimento oferecida ao animal, sempre com orientação veterinária.
Mas o alerta vem junto com o cuidado: mais fome não significa liberar petiscos sem controle.
Veterinários explicam que o excesso de comida no inverno pode acelerar quadros de sobrepeso e obesidade, especialmente em cães idosos, castrados ou com rotina mais sedentária durante os dias frios. O ideal é observar mudanças reais no comportamento do animal e procurar orientação profissional antes de alterar drasticamente a alimentação.
O inverno também altera outros hábitos dos pets. Muitos cães passam a beber menos água, reduzem atividades físicas e procuram locais fechados e quentes para dormir. O problema é que esse combo pode afetar diretamente a saúde.
Conforme o CRMV-SP, temperaturas baixas aumentam o risco de doenças respiratórias, dores articulares e queda da imunidade, principalmente em filhotes, idosos e animais de pelo curto.
Os especialistas recomendam atenção a sinais como tremores, patas geladas, falta de disposição, tosse, secreção nasal e mudança brusca no apetite. Em casos mais intensos, o frio pode desencadear complicações respiratórias e agravamento de doenças já existentes.
Outro ponto importante é evitar a chamada “humanização” dos pets. O próprio CRMV-SP alerta que nem todo cachorro sente frio da mesma forma e que decisões baseadas apenas na percepção humana podem prejudicar o bem-estar animal. Raça, idade, porte, pelagem e estado de saúde fazem diferença.
Na prática, os cuidados mais recomendados pelos veterinários incluem manter o animal longe da umidade, evitar banhos frequentes em dias muito frios, reforçar a hidratação e garantir um espaço protegido do vento e do chão gelado.
O frio chega silencioso. E, dentro de casa, ele também muda a rotina de quem anda em quatro patas.

