O mês de maio acende um alerta que vai além das campanhas institucionais: chama a atenção para uma realidade ainda marcada pelo silêncio. A violência sexual contra crianças e adolescentes segue como um dos crimes mais subnotificados no Brasil e, na maioria dos casos, acontece dentro de ambientes onde a proteção deveria ser garantida.
Em 2026, a campanha Maio Laranja ganha ainda mais relevância diante do crescimento das denúncias em todo o país e da gravidade dos casos registrados em Mato Grosso do Sul. Dados recentes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que o Disque 100 registrou mais de 657 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2024, um aumento de 22,6% em relação ao ano anterior. Em 2025, o serviço manteve alta demanda, reforçando um cenário permanente de alerta e a necessidade de fortalecimento das redes de proteção.
No recorte da violência sexual infantil, os números são ainda mais alarmantes. Estimativas nacionais indicam que, a cada hora, sete casos de estupro de vulnerável são registrados no Brasil. Especialistas alertam, porém, que a realidade pode ser muito maior, já que apenas cerca de 10% dos casos chegam oficialmente às autoridades.
Outro ponto que preocupa é o perfil das ocorrências. Diferente do senso comum, a violência sexual contra crianças e adolescentes acontece, majoritariamente, dentro de casa ou em círculos de confiança da vítima. Levantamentos apontam que aproximadamente 80% dos casos ocorrem no ambiente familiar.
Além disso, o ambiente digital passou a representar um novo espaço de vulnerabilidade. Somente em 2025, o Brasil registrou mais de 49 mil denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet, evidenciando o avanço dos crimes virtuais envolvendo crianças e adolescentes.
Em Campo Grande, a mobilização será marcada por ações educativas, palestras e o DEBATE PÚBLICO MAIO LARANJA sobre prevenção e enfrentamento da violência e exploração sexual infantil, na Câmara Municipal, no dia 18 de maio, às 8h30 — data que simboliza o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
A campanha tem origem em Mato Grosso do Sul. Em 2017, ainda como deputado estadual, o vereador Herculano Borges foi autor da lei que instituiu o Maio Laranja no Estado. Posteriormente, a iniciativa ganhou reconhecimento nacional e passou a integrar oficialmente as ações do Ministério dos Direitos Humanos.
Para Herculano, o desafio vai além da criação de leis. É preciso enfrentar um problema estrutural: o silêncio. “Quando falamos em números, sabemos que eles não representam toda a realidade. Muitos casos continuam sem denúncia. O maior obstáculo ainda é o silêncio”, afirma o vereador.
Ele também alerta para a necessidade de romper com a ideia de que esse tipo de violência está distante da sociedade. “Precisamos entender que esse crime acontece perto, muitas vezes dentro de casa, em ambientes de convivência familiar. Informação, conscientização e denúncia são fundamentais para proteger nossas crianças.”
O Debate Público do dia 18 reunirá representantes da Rede de Proteção à Infância, incluindo conselhos tutelares, órgãos de segurança, educação, assistência social, além de integrantes do Legislativo e Executivo municipal. O objetivo é fortalecer a articulação entre instituições e ampliar o alcance das ações preventivas.
Projeto NOVA amplia ações de prevenção e acolhimento
Dentro da programação do Maio Laranja, o Projeto NOVA Transforma, referência em atendimento psicossocial e prevenção de abusos, promove ao longo do mês uma série de ações estratégicas voltadas à proteção da infância e adolescência.
Entre as iniciativas estão:
* palestras preventivas em escolas públicas e privadas;
* formação de profissionais da rede pública;
* capacitações para pais e responsáveis;
* ações em igrejas e comunidades religiosas;
* desenvolvimento de materiais educativos voltados a adolescentes, abordando relacionamentos abusivos, riscos na internet e o conceito de “ECA Digital”.
Segundo a coordenadora do projeto, Viviane Vaz, o enfrentamento da violência exige mobilização permanente da sociedade.
“A violência contra crianças e adolescentes não pode ser naturalizada. Precisamos fortalecer as redes de proteção, ampliar a conscientização e garantir que cada criança tenha seu direito à infância preservado.”
Um dos destaques da programação será o lançamento, no dia 12 de maio, de um livro inédito voltado à prevenção do abuso sexual traduzido para a língua Terena. O material será distribuído em 28 comunidades indígenas, ampliando o acesso à informação de forma culturalmente contextualizada.
Além das ações presenciais, a campanha reforça a importância dos canais de denúncia. Casos de violência podem ser comunicados de forma anônima pelo Disque 100, principal canal nacional de proteção aos direitos humanos.
Mais do que uma mobilização pontual, o Maio Laranja reforça um compromisso coletivo permanente: proteger crianças e adolescentes da violência e romper o silêncio que ainda encobre milhares de vítimas no país.
Fonte: Assessoria de Comunicação

