InícioCapitalProjeto em Campo Grande autoriza empresas privadas na gestão de escolas municipais

Projeto em Campo Grande autoriza empresas privadas na gestão de escolas municipais

Um projeto protocolado na Câmara Municipal de Campo Grande propõe abrir espaço para a iniciativa privada atuar na administração de serviços das escolas públicas municipais da Capital. A proposta cria o programa “Parceiro da Escola Campo Grande”, baseado no modelo de Parceria Público-Privada (PPP), permitindo que empresas assumam áreas administrativas, operacionais e de infraestrutura da rede municipal de ensino.

Apresentado pelo vereador Rafael Tavares, o projeto prevê contratos de até 25 anos para empresas privadas executarem serviços como construção e reforma de escolas, manutenção predial, limpeza, alimentação escolar, vigilância patrimonial e gestão administrativa e financeira das unidades participantes.

Projeto foi apresentado pelo vereador Rafael Tavares – Foto: Wagner Guimarães

Pelo texto, a iniciativa privada ficaria proibida de interferir em qualquer atividade pedagógica. O projeto veta participação das empresas em decisões relacionadas ao currículo escolar, contratação de professores, avaliação de alunos, definição de metodologias de ensino ou direção das escolas.

A proposta estabelece que toda a gestão pedagógica continuará sob responsabilidade exclusiva da Secretaria Municipal de Educação e dos diretores escolares.

Entre os principais argumentos apresentados está a tentativa de aliviar gestores escolares de funções administrativas e concentrar esforços na área pedagógica, além da promessa de ampliar investimentos em infraestrutura e melhorar a eficiência no uso de recursos públicos.

O texto também prevê consulta pública obrigatória antes da inclusão de qualquer escola no programa. Pais, professores, servidores e estudantes poderão participar da decisão. Caso a maioria absoluta dos participantes rejeite a adesão, a unidade escolar não poderá integrar a PPP.

Outro ponto incluído no projeto tenta reduzir resistência entre servidores municipais. A proposta proíbe demissões, exonerações ou perda de direitos de funcionários públicos em razão da implementação do programa. Os servidores manteriam vínculos, salários e benefícios garantidos pelo município.

As empresas contratadas, por outro lado, assumiriam integralmente as responsabilidades trabalhistas sobre funcionários terceirizados utilizados na execução dos serviços.

O projeto determina ainda que os contratos sejam fiscalizados pela Secretaria Municipal de Educação e pela Controladoria-Geral do Município, com publicação anual de relatórios de desempenho, índices de aprendizagem, evasão escolar e cumprimento de metas pelas empresas contratadas.

A proposta ainda deve passar pelas comissões da Câmara Municipal antes de eventual votação em plenário. O tema promete abrir debate sobre os limites da participação da iniciativa privada na estrutura da educação pública municipal, especialmente em áreas consideradas estratégicas para o funcionamento das escolas.

Matérias relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui