Mais de 15,6 mil autuações aplicadas ao Consórcio Guaicurus entre 2021 e 2025 reforçaram o debate sobre o futuro do transporte coletivo em Campo Grande. Os dados foram apresentados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), em audiência pública realizada nesta terça-feira (2), e evidenciam problemas recorrentes na prestação do serviço, alvo de investigações da CPI do Transporte Público da Câmara Municipal.
Segundo os dados divulgados, o consórcio recebeu 12,2 mil autuações por descumprimento de horários e outras 3,4 mil por omissão de viagens, totalizando mais de 15,6 mil infrações registradas em quatro anos.
Os números foram apresentados durante a audiência promovida pela comissão especial criada pela Prefeitura para analisar o contrato de concessão do transporte coletivo e ouvir a população sobre a qualidade do serviço prestado na Capital.
As informações reforçam conclusões já apontadas pela CPI do Transporte Público, encerrada em setembro de 2025. O relatório final elaborado pelos vereadores recomendou a substituição imediata de 197 ônibus com idade acima do limite previsto em contrato e sugeriu uma intervenção no Consórcio Guaicurus para garantir o cumprimento das obrigações assumidas na concessão.
Presidente da Câmara Municipal, o vereador Papy afirmou que os dados apresentados pela Prefeitura corroboram as conclusões alcançadas pela comissão parlamentar. “Acredito que estamos nos aproximando de uma intervenção que foi proposta pelo relatório final da CPI do Transporte Público. Esse desdobramento é fruto do trabalho realizado pela Câmara, que promoveu mais de 50 horas de oitivas e produziu um relatório consistente, apontando problemas que agora também estão sendo identificados pelo Executivo”, afirmou.
Além do elevado número de autuações, os levantamentos da comissão municipal apontam a necessidade de renovação da frota para reduzir a idade média dos veículos para cinco anos, conforme previsto contratualmente.
O vereador Junior Coringa destacou que a audiência pública representa um dos primeiros resultados práticos da CPI e pode influenciar diretamente as decisões que serão tomadas pela Prefeitura. “Essa audiência pública já é um resultado positivo da nossa CPI. A comissão criada pelo município pode ter papel fundamental em uma eventual intervenção e, posteriormente, em um novo processo para exploração desse serviço tão importante para a população”, declarou.
Para a vereadora Luiza Ribeiro, também integrante da CPI, o transporte coletivo continua sendo um dos principais desafios da administração pública e exige medidas urgentes. “Essa audiência mostra uma consequência direta do trabalho realizado pela Câmara. O transporte coletivo é um problema histórico da cidade e precisa de soluções efetivas. As investigações foram profundas e agora cabe aos órgãos competentes avançar nas providências necessárias”, disse.
A audiência marcou a última etapa dos trabalhos da comissão especial criada pela Prefeitura para apurar possíveis irregularidades na concessão. O grupo finaliza agora um relatório técnico que será encaminhado à prefeita Adriane Lopes nos próximos dias.
A partir das conclusões do documento, o Executivo deverá decidir quais medidas serão adotadas em relação ao contrato do transporte coletivo, incluindo a possibilidade de intervenção no Consórcio Guaicurus.
