Mato Grosso do Sul chega ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado neste 1º de junho, diante de um cenário que mantém em alerta autoridades e instituições de proteção às mulheres. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 13 mulheres foram vítimas de feminicídio entre janeiro e 31 de maio deste ano. Em todo o ano de 2025, o Estado registrou 37 mortes motivadas pela violência de gênero.
Diante da gravidade dos números, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) lança nesta segunda-feira a quarta edição da campanha “Você Merece Um Amor Leve”, iniciativa que busca conscientizar a população sobre os sinais da violência doméstica e a importância da denúncia antes que a agressão evolua para um desfecho fatal.
A mobilização ocorre durante a Semana Estadual de Combate ao Feminicídio, instituída pela Lei Estadual nº 5.202/2018. A data foi criada para ampliar o debate sobre a violência contra a mulher e fortalecer ações de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.
Promovida pelo Ministério Público, a campanha reúne diversos setores da instituição envolvidos no enfrentamento à violência de gênero, entre eles o Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos (CAODH), o Centro de Apoio Operacional Criminal (CAOCRIM), o Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (Nevid), o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navit), além de promotorias do interior e do Departamento de Comunicação.
Ao longo dos últimos anos, a campanha tem levado à população uma mensagem direta: violência não é demonstração de amor. O objetivo é incentivar mulheres a procurarem ajuda e alertar familiares, amigos e vizinhos sobre a importância de identificar sinais de relacionamentos abusivos.
Silêncio ainda dificulta prevenção
Apesar dos avanços nas políticas públicas de proteção às mulheres, o Ministério Público alerta que muitas vítimas continuam sem procurar ajuda antes da escalada da violência.
Levantamentos apontam que diversas mulheres assassinadas nunca registraram boletim de ocorrência nem solicitaram medidas protetivas. Em média, uma vítima permanece cerca de dez anos convivendo com agressões físicas, psicológicas, patrimoniais ou morais antes de conseguir romper o ciclo de violência.
Outro dado que preocupa as autoridades são as tentativas de feminicídio. Somente neste ano, Mato Grosso do Sul registrou cerca de 50 casos em que mulheres sobreviveram a ataques praticados por agressores que, segundo as investigações, tinham a intenção de matá-las.
Para o MPMS, esses números demonstram que o feminicídio consumado representa apenas a face mais extrema de uma violência que, na maioria das vezes, começa muito antes, com ameaças, agressões e controle da vítima.
Medida protetiva continua sendo principal ferramenta
O Ministério Público reforça que a medida protetiva de urgência continua sendo uma das principais ferramentas para evitar que casos de violência doméstica evoluam para feminicídio.
Quando concedida pela Justiça, a ordem impõe restrições ao agressor e o descumprimento pode resultar em prisão preventiva.
As autoridades também destacam a importância da denúncia. Quanto mais cedo a vítima procura ajuda, maiores são as chances de interromper o ciclo de violência e evitar novas agressões.
Em um Estado que já contabiliza 13 mulheres assassinadas apenas nos primeiros cinco meses de 2026, a campanha busca justamente romper o silêncio que ainda protege agressores e impede que muitas vítimas recebam ajuda a tempo.

